Walter Campos de Carvalho nasceu em 1º de novembro de 1916, em Uberaba, Minas Gerais. Formado em Direito, em 1938, em São Paulo.
Entre outros livros publicou:
A Lua vem da Ásia
Vaca de Nariz Sutil
A Chuva Imóvel
O Púcaro Búlgaro
Os três primeiros parágrafos do Capítulo Primeiro, do livro A LUA VEM DA ÁSIA diz:
“Ao 16 anos matei meu professor de lógica. Invocando a legítima defesa – e qual defesa seria mais legítima? – logrei ser absolvido por cinco votos contra dois, e fui morar sob uma ponte do Sena, embora nunca tenha estado em Paris.”
“Deixei crescer a barba em pensamento, comprei um par de óculos para míope, e passava as noites espiando o céu estrelado, um cigarro entre os dedos. Chamava-me então Adilson, mas logo mudei para Heitor, depois Ruy Barbo, depois finalmente Astrogildo, que é como me chamo ainda hoje, quando me chamo.”
“A primeira mulher que possuí foi sob a ponte do Sena, em pleno coração do meu Paris imaginário; e ainda lembro de que ela me sorria com uns dentes que refletiam as estrelas e as lâmpadas do cais adormecido, e dizia-me coisas numa língua que eu não conhecia.” ………..
Ao final do capítulo 99, conclui com os seguintes pensamentos:
“Os homens, as pulgas e as ratazanas se assemelham nisto: que hoje estão vivos mas amanhã estarão mortos, irremediavelmente mortos, e para sempre.”
“O grande pátio onde de manhã tomamos sol nem sempre tem sol, o que demonstra a incúria do governo e a irresponsabilidade daqueles a quem pagamos para que nos dêem sol, já que não nos podem dar a liberdade.”
“Se Napoleão Bonaparte não houvesse existido, que seria de seus filhos e netos e de todos os seus sósias e falsos sósias, que se blasonam desses títulos como da coisa mais importante deste mundo?”
“À noite a lua vem da Ásia, mas pode não vir, o que demonstra que nem tudo neste mundo é perfeito.”
“Quando sair daqui, vou matar a pedradas o médico que matou meu irmão no hospital e não foi punido até hoje. Pena que ele não possa ouvir os próprios gritos, pois que é surdo.”
“As flores têm o perfume que a terra lhes dá sem ser perfumada. Assim, também nós devemos dar a nossos atos aquilo que não trazemos em nós mas de que somos realmente capazes, e que não morrerá com a nossa morte.”
“Como o criado da noite veio apagar a luz do meu quarto, este fica sendo o último aforismo que escrevo, fazendo-o no escuro e sob protesto.”
Seqüência dos capítulos desse livro:
Capítulo Primeiro
Capítulo 18º
Capítulo Doze
(Sem Capítulo)
Capítulo Sem Sexo
Capítulo 99
Capítulo Vinte
Capítulo I (Novamente)
.Capítulo
Capítulo CLXXXIV
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