“Na Antologia, de Edgar Resende, intitulada – “O Brasil que os poetas cantam”, consta que Augusto Linhares nasceu em Baturité, em 24 de novembro de 1879, se matriculando, em 1897, na Faculdade de Medicina da Bahia, de onde, no ano seguinte, passou para a do Rio de Janeiro, doutorando-se, em 1902. Fez estudos de Medicina Tropical, especializando-se em Manguinhos, com Osvaldo Cruz, tendo sido, em Liverpool, aluno de Ronald Ross, especializando-se em Larinotologia, havendo trabalhado, na “Charité”, de Berlim, com o Prof. Killiam. Tendo estado, no exercício dessa especialidade, em Bordeus, França e Estados Unidos. Aqui no Brasil, desempenhou as comissões de Médico do Saneamento de Manaus, Inspetor de Saúde dos Portos do Amazonas e a de Inspetor Escolar da Prefeitura do Distrito Federal. É prosador e poeta. Entre outros trabalhos escreveu:
MÃE PRETA
Quando Dodora ao céu chegar - é minha crença,
E ao Chaveiro disser: – Dá licença meu Santo?
São Pedro, vendo-a, lhe dirá, com certo espanto,
- Você, Dodora!, não precisa de licença! …
E a porta lhe abrirá, paternalmente. E ela,
Para de todo ser feliz numa tal hora,
Seu cachimbinho acende. Acende-o numa estrêla;
Mas São Pedro lhe diz: – Não, aqui não, Dodora!…”
Irene no céu de autoria de Manoel Bandeira que veio ao mundo bem depois, tem muito dessa poesia
Irene no céu
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
— Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.