Mais trechos do livro de Tarcisio Matos intitulado VAIANDO O SOL , O MELHOR DO HUMOR E DA MOLECAGEM CEARENSE
Em Sobral, o Anselmo ouvia conversa entre populares acerca da guerra entre americanos e russos e de uma coisa ficou certo: o presidente americano à época Jonh Kennedy, era mesmo muito macho. Aí foi a sopa no mel: a mulher grávida ia ter um filho homem e o meninão seria batizado com o nome de Kennedy.
Através de um amigo, Anselmo fez uma carta e remeteu-a à Embaixada Americana. Em vinte dias a resposta chegava: o presidente americano topava ser o padrinho da criança, mas lamentava não poder estar presente à festa.
O menino era exibido com orgulho por Anselmo:
- Este é o meu John!
Mas Lee Oswald achou de matar Kennedy naquele 22 de novembro de 1963. Quando soube do assassinato, Anselmo correu pra casa e avisou a mulher, ainda curtindo o resguardo. Ela empurrou o pau a chorar e lamentar, num luto de fazer dó.
- Eu dou por vista a situação da cumade Jacqueline! Que será dela sem eu por perto pra fazer um chazinho de capim-santo, receber o povo que vão pro velório…
Margarida executava no piano o autor predileto: Villa-Lobos. Tocava o “Trem Caipira” e, vez ou outra, levantava a perna esquerda liberando sonoro pum. Murmurava tranqüila:
-Que alívio!…
O namorado Zé Galdino chegara há alguns minutos e, sem dar um pio, para não atrapalhar a virtuose da moça, posta-se atrás, caladinho.
E mais uma vez Margarida deixa um peidinho maroto escapulir.
-Que alívio!…
Até que, fazendo 180º no banquinho do velho Essenfelder, joga a vista em Zé Galdino, para seu espanto:
- Amor!!! Faz tempo que cê taí?
- Desde o primeiro alívio, Margá!