A praia não estava deserta naquele momento.
Acabara-se a atmosfera salutar da delicadeza do silêncio…
O sol, mais que um iluminador, queimava corpos dourados.
A água batia nas pedras com veemência e vontade de agredir.
Ao meio dia, a sombra quase se acaba sob corpos andantes.
Na perfídia da vida tudo se assemelha a uma fornalha incandescente…
Aquece-se com lenha para se obter qualidade no produto,
entabula-se um diálogo com palavras emocionadas
para convencer pessoas, sorrateiramente, à entrega absoluta.
Reina, porém, a dúvida, o mistério do prazer é mais forte,
o racional perdeu-se há muito…
E, em pleno sol, já distante de todos, o mar confirmava o amor…