As súplicas são vertentes esmeradas
nascem com aperto na alma
lúgubres caminham em fila indiana.
Absorto transmuto meu pensamento
viro órfão
quero um pão.
Fermento minha vida esquálida
desespero-me na minha essência
fustiga-me a coalizão do amor.
Inocente e sorrateiro vou sozinho carregando uma vela acesa
sem clarear muito
levo topadas inerentes.
Transporto meu humor desaparecido
quebro as vidraças alheias
separo erva-doce da cochonilha.
E mesmo assim
evadem-se os desesperos
ecoam os cantos magros e suspirantes
das morenas fogosas
que se atropelam ao amanhecer.
E sem eruditismo percorro ruas de barro batido
eclodem promessas devaneadas
e nasce um desejo sedento de ardor melancólico.
Sapatos sem salto fazem de você um elemento vulgar.
Tira-se a tampa da panela que ferve
ferve de amor ao próximo tão próximo que não se vê.
Um calor ardente
goteja suor
esfria o rosto
acalma as entranhas.