conexões

As súplicas são vertentes esmeradas

nascem com aperto na alma

lúgubres caminham em fila indiana.

Absorto transmuto meu pensamento

viro órfão

quero um pão.

Fermento minha vida esquálida

desespero-me na minha essência

fustiga-me a coalizão do amor.

Inocente e sorrateiro vou sozinho carregando uma vela acesa

sem clarear muito

levo topadas inerentes.

Transporto meu humor desaparecido

quebro as vidraças alheias

separo erva-doce da cochonilha.

E mesmo assim

evadem-se os desesperos

ecoam os cantos magros e suspirantes

das morenas fogosas

que se atropelam ao amanhecer.

E sem eruditismo percorro ruas de barro batido

eclodem promessas devaneadas

e nasce um desejo sedento de ardor melancólico.

Sapatos sem salto fazem de você um elemento vulgar.

Tira-se a tampa da panela que ferve

ferve de amor ao próximo tão próximo que não se vê.

Um calor ardente

goteja suor

esfria o rosto

acalma as entranhas.

Publicado em:  on 22 05pmWed, 21 May 2008 12:11:29 +0000ç2008 2008 at 12:11 pm Deixe um comentário

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