Quero correr e desaparecer
formigam-me os pés
desnutre-se minha mente
inerte permaneço sem qualquer ação.
Vasculhei minha imaginação sofrida e pálida
encontrei uma trena
medi quilômetros de tristeza.
Sucumbi ao desespero da perda.
Quero correr e desaparecer
formigam-me os pés
desnutre-se minha mente
inerte permaneço sem qualquer ação.
Vasculhei minha imaginação sofrida e pálida
encontrei uma trena
medi quilômetros de tristeza.
Sucumbi ao desespero da perda.
Havia um abismo imenso na minha vida
Desloquei o queixo e machuquei a mão
fiquei três dias em coma.
Fustiguei meu íntimo e encontrei a resposta
descobri a luz perpétua e desmistifiquei a crença
ultrapassei o muro do intransponível
nada do que me disseram tinha lógica
a vida existia sim, serena sem análise de ações
tinha reencontros
apertos de mão
abraços…
Parecia que ia
parecia que vinha
não ia nem vinha
ficava e não queria ficar
Absorto permaneci sem nada entender.
“A verdade é que DEVO DORMIR, já me diziam isto desde criança, quem me dizia não sei, até mesmo na guerra me diziam: parece que é um código de honra, qualquer coisa assim – seria o mesmo que me recusar a comer, a urinar, a descobrir-me diante do pavilhão nacional, diante de todos os pavilhões nacionais: coisa muito séria, haveria o pânico e o perigo de contaminação, um homem é um homem, uma lâmpada é uma lâmpada, e mesmo uma lâmpada há que apagá-la de quando em vez ou de vez em quando, daria muito na vista. O que eles não compreendem é que uma coisa é o estômago e outra é a consciência, ou se tem ou não se tem, não se apaga uma alma como se apaga um fósforo ou mesmo um incêndio, cada um sabe o que lhe vai por dentro, o resto é demagogia…”
Sempre que viajo levo comigo um ranço maldito
topo na calçada, doem-me os pés.
Percorro alamedas, museus, com semblante sombreado.
Na volta, porém descubro que foi bom.
Devia ter sido menos turrão
aliviado a entranha
soltado as amarras.
Amor canalha
Novinho em folha
Saindo da fornalha
Atravessando a rua
Um destempero
Encontrei-a nua
Tantos animais passando
Todos parados olhando
Fezes pisoteadas ficando
O que restou então
Fragmentos de pão
Pedaços de ilusão
A ferida da ponta do dedo doeu mais
Bati na quina da perna da mesa
Guardei comigo gritos abafados de dor
Na minha vida tenho sempre uma ferida no dedo do pé
Perenemente doendo dentro do sapato.