PERDA IRREPARÁVEL

Quero correr e desaparecer

formigam-me os pés

desnutre-se minha mente

inerte permaneço sem qualquer ação.

Vasculhei minha imaginação sofrida e pálida

encontrei uma trena

medi  quilômetros de tristeza.

Sucumbi ao desespero da perda.

 

Publicado em:  on 22 05pmTue, 20 May 2008 18:24:07 +0000ç2008 2008 at 6:24 pm Deixe um comentário

DO OUTRO LADO

Havia um abismo imenso na minha vida

Desloquei o queixo e machuquei a mão

fiquei três dias em coma.

Fustiguei meu íntimo e encontrei a resposta

descobri a luz perpétua e desmistifiquei a crença

ultrapassei o muro do intransponível

nada do que me disseram tinha lógica

a vida existia sim, serena sem análise de ações

tinha reencontros

apertos de mão

abraços…

Publicado em:  on 22 05pmMon, 19 May 2008 23:40:52 +0000ç2008 2008 at 11:40 pm Deixe um comentário

INDECISÃO

Parecia que ia

parecia que vinha

não ia nem vinha

ficava e não queria ficar

Absorto permaneci sem nada entender.

Publicado em:  on 22 05pmSun, 18 May 2008 12:48:11 +0000ç2008 2008 at 12:48 pm Deixe um comentário

Do livro VACA DE NARIZ SUTIL de Campos de Carvalho

                        “A verdade é que DEVO DORMIR, já me diziam isto desde criança, quem me dizia não sei, até mesmo na guerra me diziam: parece que é um código de honra, qualquer coisa assim – seria o mesmo que me recusar a comer, a urinar, a descobrir-me diante do pavilhão nacional, diante de todos os pavilhões nacionais: coisa muito séria, haveria o pânico e o perigo de contaminação, um homem é um homem, uma lâmpada é uma lâmpada, e mesmo uma lâmpada há que apagá-la de quando em vez ou de vez em quando, daria muito na vista. O que eles não compreendem é que uma coisa é o estômago e outra é a consciência, ou se tem ou não se tem, não se apaga uma alma como se apaga um fósforo ou mesmo um incêndio, cada um sabe o que lhe vai por dentro, o resto é demagogia…”

Publicado em:  on at 12:41 pm Deixe um comentário

A VIAGEM

Sempre que viajo levo comigo um ranço maldito

topo na calçada, doem-me os pés.

Percorro alamedas, museus, com semblante sombreado.

Na volta, porém descubro que foi bom.

Devia ter sido menos turrão

aliviado a entranha

soltado as amarras.

 

Publicado em:  on 22 05pmSat, 17 May 2008 12:18:08 +0000ç2008 2008 at 12:18 pm Deixe um comentário

SER FELIZ

Saborear a vida

Degustar o âmago

São ações incandescentes

Publicado em:  on at 12:17 pm Deixe um comentário

DESESPERO

Zombaria é um termo ignoto

Falseando a vida

Permaneço no esgoto

 

 

 

Publicado em:  on at 12:16 pm Deixe um comentário

sem ligações

Amor canalha

Novinho em folha

Saindo da fornalha

 

 

 

Atravessando a rua

Um destempero

Encontrei-a nua

 

 

Tantos animais passando

Todos parados olhando

Fezes pisoteadas ficando

 

 

 

 

O que restou então

Fragmentos de pão

Pedaços de ilusão

 

Publicado em:  on 22 05pmFri, 16 May 2008 19:14:55 +0000ç2008 2008 at 7:14 pm Deixe um comentário

cidade no meio da caatinga cearense

Publicado em:  on at 7:04 pm Comentários (2)

DOR PERENE

A ferida da ponta do dedo doeu mais

Bati na quina da perna da mesa

Guardei comigo gritos abafados de dor

Na minha vida tenho sempre uma ferida no dedo do pé

Perenemente doendo dentro do sapato.

Publicado em:  on 22 05pmWed, 14 May 2008 22:45:48 +0000ç2008 2008 at 10:45 pm Comentários (2)