No livro: O Brasil que os Poetas Cantam, de autoria de Edgard Rezende, 2.ª edição, 1958, me chamou a atenção a quantidade de poetas cearenses, ali inseridos entre outros de grande destaque nacional.
Vão relacionados a seguir com uma estrofe de poesias de suas autorias.
JUVENAL GALENO, nasceu no Ceará, (1836 – 1931)
“Cajueiro pequenino
Carregadinho de flor
À sombra das tuas fôlhas
Venho cantar meu amor”
PAULA NEI, nasceu em Aracati – CE, (1858 – 1897)
“Ao longe, em brancas praias embalada
Pelas ondas azuis dos verdes mares,
A Fortaleza, a loura desposada
Do sol, dormita à sombra dos palmares.”
ÁLVARO MARTINS, nasceu em Trairi – CE, (1868 – 1906)
“Brancas praias, alvas dunas
Onde o mar rolando chora,
Coqueiros onde as graúnas
Cantam, ao nascer da aurora!”
ANTÔNIO SALES, nasceu em Paracuru – CE, (1868 – 1940)
“Na sombra, ao pé das árvores, rumina
O manso gado em plácida manada;
E o sol enrola as flâmulas douradas,
Que desfraldara às brisas da campina.”
Pe. ANTÔNIO TOMÁS, nasceu em Acaraú – CE, (1868 – 1941)
“Ao sôpro do terral abrindo a vela,
Na esteira azul das águas arrastada,
Segue, veloz, a intrépida jangada,
Entre os uivos do mar que se encapela.”
JOSÉ DE CARVALHO, nasceu no Crato – CE, (1872 – 1933)
“Este inverno foi bom. Choveu bastante.
Há fartura e há paz pelo sertão,
Rios a transbordar, pasto abundante
E planícies de neve de algodão.”
ÁLVARO BOMILCAR, nasceu no Crato – CE, (1874 – …)
“Vive feliz e morre como um santo.
O campônio, o caipira, o sertanejo,
Que, à distância de um pobre lugarejo,
Habita, em paz, bucólico recanto.”
AUGUSTO LINHARES, nasceu em Baturité – CE, (1879 – …)
“Quando Dodora ao céu chegar – é minha crença,
E ao Chaveiro disser: – Dá Licença, meu Santo?
São Pedro, vendo-a, lhe dirá com certo espanto,
- Você, Dodora, não precisa de licença!…”
BENI CARVALHO, cearense, (1886 – …)
“Outubro! O sol se esvai no ocaso poento,
À tarde entoando os salmos da agonia…
E pela encosta, e, pelo azul nevoento,
Passa, smorzando, ao longe, a ventania…”
CARLOS SÁ, nasceu em Fortaleza – CE, (1886 – …)
“Tardes do fim de abril, serenas e formosas,
Morre aos poucos no azul dos céus a claridade
Do dia. Os corações se apertam de saudade.
Paira na terra em flor doce aroma de rosas.”
JÚLIO MACIEL, nasceu em Baturité – CE, (1888 – …)
“Rebelde e forte, aqui, outrora se implantava
A taba indiana – aqui onde a alma lua cheia,
Pródiga, a derramar em cachões a luz flava
- Agora a estes casais a fachada clareia.”
CRUZ FILHO, nasceu em Canindé – CE, (1889 – …)
“De ondas revoltas, negra e encapelada,
Ei-la dançando entre lençóis de espumas,
Liquefeita esmeralda borrifada
De sombras tristes e de intensas brumas.”
MÁRIO LINHARES, nasceu em Fortaleza – CE, (1891 – …)
“Ceará. Pleno sertão. Agôsto. Um sol de brasa
Queima impiedosamente o ventre da floresta.
O ar, pesado, asfixia. O espaço nem uma asa
De ave corta. Adustão flôres e frutos cresta.”
MARTINS D’ALVAREZ, nasceu em Barbalha – CE, (1903 – …)
Na tua carne cor de terra, presa
À inclemência das taras ancestrais,
Grita esplendidamente a natureza
Dessas quentes paragens tropicais.
FILGUEIRAS LIMA, nasceu em Lavras – CE, (1909, …)
Chove na minha terra!
Chove no Ceará!
Tudo é verde para a volúpia dos olhos
E as águas cantam para gôzo dos ouvidos.
Há delícia, prazer e encantamento,
Há festa para todos os sentidos!