O que surgiu primeiro: o ovo ou a galinha?

Do livro: As vacas descem escadas? De Paul Heiney

 

Se você está esperando que eu diga que não existe resposta para esta pergunta, engana-se. O ovo foi o primeiro a aparecer.

A maior parte dos cientistas acha que toda vida que existe na terra evoluiu. Evolução é o desenvolvimento gradual da vida para se adaptar ao ambiente. Por exemplo: os vermes vivem na terra, por isso não precisam de bons olhos porque por lá não há muito para ser visto. Assim os olhos de alguns vermes foram desaparecendo, de geração em geração. Essa mudança é impossível num ser vivo, porém pode acontecer em um descendente dele. As mudanças vão acontecendo gradualmente, e os seres podem se modificar muito. E isto vale também para os humanos. Você já viu desenhos dos nossos ancestrais que mostram como eles eram? Cabeças grandes, muitos pêlos, braços mais longos, costas curvadas etc. Naquela época não éramos realmente humanos: fomos evoluindo lentamente até nos tornarmos o que somos hoje.

A mesma coisa aconteceu com a galinha. Se você voltar na história, a antepassada do que hoje chamamos de galinha era muito diferente dela. Por exemplo, teria pés palmados que dificultariam o seu andar. Aí, certo dia, uma delas botou um ovo do qual nasceu uma ave que não tinha pés palmados – seus pés eram iguais aos das galinhas dos nossos dias. Ela evoluíra.

Mas tudo isso começou com o ovo. Portanto, ele chegou primeiro.

Publicado em:  on 22 07amThu, 31 Jul 2008 01:33:51 +0000ç2008 2008 at 1:33 am Deixe um comentário

Mascote do Saci na Copa de 2014

Pedro meu amigo me enviou esse texto onde indaga

Será uma boa idéia?

 

Há de se pensar…

 

Do: DIARIO DO NORDESTE – FORTALEZA -CE

COLUNA (19/6/2008)

Flávio Paiva

 

Mascote do Saci na Copa de 2014

 

Começa a circular entre os ´saciólogos´ uma campanha para lançar o Saci Pererê como símbolo da Copa do Mundo de 2014, quando o evento acontecerá no Brasil. A idéia visa, com isso, divulgar para todo o planeta a imagem do mais expressivo mito nacional e, assim, provocar o interesse de povos do mundo inteiro sobre a cultura popular brasileira.
Tudo começou como tudo que é bom começa: conversa vai, conversa vem e o jornalista mineiro Mouzar Benedito comenta em uma reunião da Sociedade dos Observadores de Saci, Sosaci, que certamente os marqueteiros inventarão um mascote besta para a Copa, a exemplo, do já esquecido Cauê dos Jogos Panamericanos.

A observação foi o suficiente para dar o apito inicial da campanha. Não é preciso esperar quem vai em uma perna e volta na outra para saber que o Saci é uma síntese do povo brasileiro, de domínio público, conhecido em todo o território nacional, brincalhão, gozador e que gosta de dar alguns sustos também.

O Saci é um ser fantástico das matas que foi colocado no terreiro das crenças indígenas, amamentado pelas mães-pretas e coroado com o gorro da liberdade trazido pelos imigrantes. Mouzar diz com irreverência sacizística que até nas comemorações do centenário da imigração japonesa tem aparecido Saci de olhinhos puxados, respondendo pelo nome de Sashimi.

O escritor santista José Roberto Torero gostou tanto da idéia do Saci como mascote para a Copa de 2014 que fez logo um texto para o caderno de esportes da Folha de São Paulo (10/6/2008) defendendo o danisco, por sua força de simbolizar o Brasil e de permanecer na memória dos torcedores, como algo originário da cultura brasileira. Torero convoca seus leitores a se unirem nessa cruzada de vivas ao Saci.

Tomando o entusiasmo de Mouzar e de Torero também para mim entro aos pulos e assobios nessa campanha de fortalecimento dos valores positivos da brasilidade. O Saci é uma figura rica em variantes e, por isso, mesmo correndo o risco de ter sua imagem massificada como mascote, a consistência do seu composto simbólico dará sempre para combinar com os modos locais de interação com o seu significado.

Por estar lastreada em atributos extraordinários de estado puro e amalgamada por materiais sensíveis da miscigenação, a intensificação da popularização do Saci é um meio de informarmos para nós e para o mundo que nos reconhecemos em nosso imaginário. Como mascote, ele estará além dos tradicionais bonequinhos, normalmente destituídos de alma coletiva pelas referências lógicas comerciais.

Precisamos ver a Copa do Mundo como o grande evento desportivo que ela é; mas precisamos encará-la também como plataforma de canal invertido de transmissão cultural. Temos poucas chances de enviar para o mundo algo das nossas manifestações autênticas e esta será uma delas. O mascote do Saci servirá de êmulo no contrafluxo simbólico a tudo que apenas recebemos no cenário de assimetria das relações culturais internacionais.

O Saci tem a vantagem de ser um denominador comum para crianças e adultos. Chamá-lo a participar do jogo é um ganho para a memória nacional e uma elevação de ânimos da brasileirice. Fico imaginando-o com a bandeira brasileira no coração, no gorro, com faixa verde-amarela de capitão, rodopiando em pequenas hastes dos camelôs à venda nas entradas dos estádios…

Mas fico imaginando mesmo é o desenho animado do mascote Saci, em dribles mágicos com sua perna invisível. Sei que em um primeiro momento muita gente deve se perguntar que sentido faz um personagem que ´só tem uma perna´ ser o símbolo de uma Copa de Futebol, esporte fundamentado na habilidade humana de conduzir a bola com os pés até atingir o gol do adversário.

Engana-se quem pensar que o Saci só tem uma perna. Quando ele era apenas uma lenda indígena ele tinha duas patas. Depois foi que surgiu a história de que ele era um menino escravo que preferiu perder uma perna a ficar preso aos grilhões das senzalas. Mas a perna arrancada na fuga do Saci nunca foi encontrada, não há vestígios dela. Por isso, prefiro acreditar que ela ficou encantada; tão encantada que nem rastro deixa por onde passa.

Gostaria muito de saber explicar melhor o que chamo de perna invisível do Saci; a perna invisível da cultura brasileira. Ela está nos passos de frevo, nos lances de capoeira e nos dribles dos grandes craques de futebol. O Dener dizia que um drible é mais importante do que um gol. De Garrincha a Ronaldinho Gaúcho, a perna encantada do Saci pode ter sido a responsável por tantas jogadas desconcertantes na história do nosso futebol.

A gente praticamente não vê como ela ludibria os adversários em manifestações estéticas de grande emoção. É, sem dúvida, uma representação da alegria do futebol. Quando o Rivelino derrubava o adversário com uma rápida e invisível passagem de perna sobre a bola, ele estava fazendo às vezes de Saci. Exemplos da atuação dessa incrível perna invisível estão aos montes na história de Pelé, Tostão, Sócrates, Romário, Denílson e nas pedaladas de Robinho.

No plano político, a perna invisível do Saci Pererê é uma ótima alternativa à mão invisível do mercado. Ela representa a popularização do auto-pronunciamento das forças das culturas regionais, diante do poder destrutivo da lógica instrumental da economia, da idolatria da técnica e da redução de Deus à condição de objeto no comércio da fé.

Essa história de mão invisível do mercado vem do tempo da Revolução Industrial, quando o pensador escocês Adam Smith (1723 – 1790) criou os fundamentos do liberarismo. Ele partiu do pressuposto de que o ser humano é antes de tudo um egoísta, para chegar à tese de que a soma das defesas das vantagens econômicas individuais levaria ao bem-comum.

Na segunda metade do século passado a lógica de Smith ganhou novos contornos, com o neoliberalismo reduzindo a noção do bem-comum ao extremo usufruto dos poucos que conseguissem ser competitivos o suficiente a ponto de eliminar os mais lentos e os mais fracos. Com isso, chegamos a uma situação insuportável nas relações humanas e a uma condição insustentável no que se refere à preservação da natureza.

A escolha do Saci como mascote para a Copa do Mundo no Brasil tem um ar de respeito à vida, ao meio ambiente e à diversidade cultural, por meio do que temos de mais humanamente distinto, que é o nosso imaginário. É como se o Saci fizesse frente aos mascotes virtuais que têm sido induzidas aos cuidados infantis, como se fossem seres vivos de verdade, como se expressassem sentimentos e necessitassem de afeto para sobreviver.

De tanto propalar os benefícios da ´saciologia´ já fui questionado por leitores se não seria o caso de pensarmos em um herói menos mutilado e mais viril, menos marginal e mais vencedor, para utilizar como modelo brasileiro de busca da excelência nacional, como é o caso do Super-Homem, do Capitão América, do Homem de Ferro e de outros super-heróis das histórias em quadrinhos, criados como esforço de comunicação de supremacia.

O Saci é um anti-herói. Está mais próximo do Osaín, mito ioruba que brotou da terra com a vegetação e teve seu corpo partido pela metade por um raio inimigo. A diferença é que enquanto Osaín prepara as ervas e a água medicinal para as cerimônias de comunicação humana com os orixás, o Saci aproveita os ventos contrários para sair redemoinhando a sempre surpreendente ligação da cultura com a natureza. Com o Saci de mascote na Copa de 2014, mais do que um duende libertário daremos ao mundo uma prova de grandeza e de soberania cultural.

 

Publicado em:  on 22 07pmTue, 29 Jul 2008 20:47:48 +0000ç2008 2008 at 8:47 pm Comentários (3)

Como surgem os buracos negros?

Do livro: As vacas descem escadas? De Paul Heiney

 

Eles se formam quando estrelas enormes desmoronam para dentro de si mesmas porque queimaram até o fim o combustível que as mantinha acesas. As estrelas são compostas por gases e transformam constantemente uns gases em outros – em geral, transformam hidrogênio em hélio. Pode acontecer que a maior parte do hidrogênio seja transformado em hélio e que este, por sua vez, seja transformado em carbono e o carbono se transforme em oxigênio. Todas essas reações liberam energia em forma de calor e de luz, o que faz a estrela ser quente e brilhante. A luz e o calor mantém a forma da estrela, evitando que a gravidade sugue todo o gás do seu interior.

Mas a certo ponto se inicia um estágio no qual não há mais combustível para queimar e a gravidade atua. Se a estrela for bastante grande – com pelo menos três vezes o tamanho do sol -, ela desmoronará para dentro de si mesma. Então, a densidade do material em seu centro se tornará tão alta que a gravidade dela será forte o bastante para impedir que a luz continue escapando. A estrela se tornou um buraco negro.

Publicado em:  on 22 07amMon, 28 Jul 2008 11:01:39 +0000ç2008 2008 at 11:01 am Deixe um comentário

Percurso

Garimpei amores, Dolores

Campeei animais, iguais

Corri mundo, imundo

Sai ileso num vendaval sem tamanho.

Publicado em:  on 22 07amSun, 27 Jul 2008 10:31:53 +0000ç2008 2008 at 10:31 am Deixe um comentário

O que são os buracos negros do universo?

Do livro: As vacas descem escadas? De Paul Heiney

 

John Michel, um astrônomo inglês, foi o primeiro a sugerir, em 1783, que a massa pode criar um campo gravitacional tão forte que a luz não consegue escapar dela. Poucos anos depois, o matemático e filósofo francês Pierre Laplace chegou à mesma conclusão. Então, quando Einstein propôs sua Teoria da Relatividade, em 1915, o buraco negro se tornou uma possibilidade como objeto real. O termo buraco negro foi criado por John Wheeler, em 1967.

Não há prova absoluta, mas sim, evidências de que o buraco negro existe. O primeiro buraco negro “descoberto” foi Cygnus X-1, em 1971. Ainda que ninguém possa afirmar categoricamente que se trata de um buraco negro, hoje em dia poucas pessoas duvidam disso.

Publicado em:  on 22 07amSat, 26 Jul 2008 01:53:39 +0000ç2008 2008 at 1:53 am Comentários (1)

A IRMANDADE DOS PENITENTES

Essa história precisa ser mais divulgada

 

 

A IRMANDADE DOS PENITENTES

 

Do livro: A RELIGIOSIDADE NO CEARÁ

                        MUSEU DO CEARÁ

 

 

“Vi Terras da minha terra

Por outras terras andei.

Mas o que ficou marcado

No meu olhar fatigado,

Foram terras que inventei”.

         Manuel Bandeira

 

 

            Em meados de 1891, entre vários peregrinos, chegava a Juazeiro José Lourenço Gomes da Silva. Procurava encontrar sua família, que já estava morando na cidade. Pouco tempo depois, Lourenço tornou-se um beato e o Pe. Cícero começou a ocupar lugar de destaque dentro de sua fé católica. Recebia os tradicionais ensinamentos do Taumaturgo e incorporava-os na sua forma de sentir, pensar e agir. Afinal, era um sacerdote que (por razões ainda não suficientemente estudadas) se transformou em um padrinho-santo, um mito, por intermédio de complexas e inextricáveis(?) elaborações do imaginário popular do sertão.

            Depois de morar algum tempo em Juazeiro, Lourenço (com sua Família) arrendou um pedaço de terra em Baixa Danta, no município de Crato. Sempre guiado pelos princípios da fraternidade evangélica, orientou a formação de uma pequena comunidade de camponeses. Sua casa, então, ficou rodeada de outras moradias feitas e habitadas por sertanejos, vítimas da concentração fundiária. Todos trabalhavam. A abundante e diversificada produção agrícola era dividida, pois inexistia o objetivo de acumular bens.

            Em 1926, a cotidiana dedicação da comunidade ao trabalho na lavoura e ao rosário foi interrompida, pois o dono do Sítio Baixa Danta vendeu o terreno e o novo proprietário exigiu a saída de Lourenço, que, sem fazer questão, decidiu pedir ajuda ao Pe. Cícero. A fim de resolver a questão, o sacerdote ofereceu uma de suas propriedades para o reinicio do trabalho comunitário interrompido em Baixa Danta. Ainda em 1926, Lourenço e vários camponeses ocupam a nova terra, chamada de “Caldeirão dos Jesuítas”.

            Não havia, no Caldeirão, nenhuma benfeitoria. Mas com pouco tempo e muito trabalho, o local começou a ficar cheio de plantações. Sob a égide do Beato Lourenço, várias famílias construíram uma nova comunidade. No inicio, a produção era, grosso modo, somente agrícola. Com o passar dos anos, novas atividades produtivas entraram em cena. Pouco a pouco, surgiu um conjunto de trabalhadores especializados: pedreiros, carpinteiros, ferreiros, fabricadores de objetos com flandre (copos, panelas, baldes…), ceramistas, artesãos dedicados ao trabalho com couro e cipó… Começaram a produzir sabão, tecidos, redes, lençóis, toalhas…

            O excedente da produção agrícola era vendido para comprar o que faltava, era guardado pelo Beato para alguma necessidade extra ou encontrava destino nas ajudas aos necessitados. Em 1932, por exemplo, o Caldeirão acolheu e alimentou mais de duzentos sertanejos tangidos pela grande falta d’água que deixou o Nordeste em profundo desespero. Mas a ajuda não acontecia somente nos períodos de seca. José Lourenço sempre seguia  o princípio cristão “amai-vos uns aos outros”, que a igreja da época desconhecia ou fazia de conta não conhecer. Com o passar do tempo, o Caldeirão crescia. Chegou a possuir quase 1.000 camponeses.

            Na comunidade, a produção era dividida de acordo com a necessidade de cada família. Esta era uma das motivações para o trabalho, pois quem estava na labuta diária percebia as vantagens do cooperativismo.

            Não havia comércio interno: os produtos agrícolas eram guardados e depois distribuídos. Em síntese, todos viviam para o trabalho e as orações. A religiosidade era um importante fator de união, de cooperativismo, dava motivação para o trabalho e inspirava uma vida apoiada na solidariedade bíblica. O sentido para a vida, a morte, o trabalho, o lazer, a penitência, a organização da comunidade, as relações sociais, tudo isso era gerado e movimentado sobretudo pela religiosidade.

            Vale salientar que o Caldeirão não era isolado. Sua economia não era totalmente independente. O dinheiro não circulava entre os membros da comunidade, mas era usado pelo beato no comércio com outros sítios. Este comércio, é importante ressaltar, não possuía finalidade lucrativa, mas apenas para obter produtos em falta na comunidade. Aliás, nada era feito com a intenção de acumular capital, para enriquecimento pessoal. As reservas de alimentos e o dinheiro guardado pelo beato tinham finalidades claras: a melhoria infra-estrutural do Caldeirão, a realização de obras ou a compra de mercadorias para o bem comum. Internamente, não havia valorização dos produtos como objetos de compra e venda, mas como bens de consumo.

            Em setembro de 1936, a polícia invade e destrói o Caldeirão. Diante da ameaça dos fuzis, os camponeses são expulsos das terras onde pacificamente trabalhavam com o rosário no pescoço. Dizia a polícia que a comunidade era um perigoso antro de fanatismo, uma ameaça contra a “ordem social” e a civilização.

Publicado em:  on 22 07amFri, 25 Jul 2008 00:18:03 +0000ç2008 2008 at 12:18 am Deixe um comentário

Dizem que a vaca pode subir escadas, mas não consegue descê-las. Isso é verdade?

Do livro: As vacas descem escadas? De Paul Heiney

 

 

Sim, é verdade. Devido à disposição dos ossos dos joelhos das vacas, a junta flexiona-se apenas para subir escadas, mas não para descer

Publicado em:  on 22 07amThu, 24 Jul 2008 10:45:55 +0000ç2008 2008 at 10:45 am Deixe um comentário

Como os pombos-correios conseguem encontrar o caminho de volta para casa?

Do livro: As vacas descem escadas? De Paul Heiney

 

 

Há duas teorias a respeito, porém ninguém comprovou nenhuma delas.

A primeira diz que os pombos-correio utilizam um “mapa cheiro” que está impresso em suas mentes desde a mais tenra idade e que funciona segundo a variação das condições do vento; assim, quando sentem o cheiro de casa, seguem-no para regressar. A segunda, uma teoria mais baseada em pesquisas, é que os pombos-correio usam o campo magnético da Terra a fim de voar para determinadas latitude e longitude.

Publicado em:  on at 10:02 am Deixe um comentário

CLARIVIDÊNCIA

Sobrei na curva

Soprei o vento

Estalei os dedos

Espetei a alma

Lambi os lábios

Limpei os dentes

As palavras saíram tão claras que me assombrei com o resultado.

Publicado em:  on 22 07amTue, 22 Jul 2008 11:36:10 +0000ç2008 2008 at 11:36 am Deixe um comentário

O LINGUAJAR CEARENSE (continuação 4 – última parte)

CORDEL: O LINGUAJAR CEARENSE

AUTORA: JOSENIR DE LACERDA

CADEIRA Nº 3 DA ACADEMIA DOS CORDELISTAS DO CRATO

 

 

…………………………………………..

Neste cordel-dicionário

Eu pretendo registrar

O rico vocabulário

Da criação popular

No Ceará garimpei

Juntei tudo, compilei

Ao leitor quero ofertar

……………………………………

 

A bebida e o seu rol

No Ceará todo habita

A fubaia e o merol

A truaca e a birita

Amansa sogra ou quentinha

A meropéia e a mardita

 

O picolé no saquinho

Aqui se chama dindim

Se é o dedo menorzinho

É chamado de mindim

Riso sonoro é gaitada

Confusão é presepada

Atrevido é saidin

 

Papo longo e sem valor

É “miolo de pote”

Muito esperto é vivedor

Adolescente é frangote

Soldado raso é samango

A lagartixa é calango

O tabefe é cocorote

 

A lista é quase sem fim

Não cabe num só cordel

Tem alpercata, alfinim

Enrabichada e berel

Chué, baé, avexado

Bãe de cuia, oi bribado

Quebra-queixo e carretel

 

Tem visage, sarará

Tem bruguelo e inxirido

Rabiçaca e aluá

Ispritado  e zói cumprido

Bunda canastra, lundú

Dona encrenca, sabacu

Bonequeiro e maluvido

 

O cearense é assim:

Dá cotoco à nostalgia

A tristeza leva fim

Na cacunda da euforia

dá de arrudei na carência

enrola a sobrevivência

e embirra na alegria.

Publicado em:  on 22 07amMon, 21 Jul 2008 10:48:21 +0000ç2008 2008 at 10:48 am Deixe um comentário