RIR É PRECISO

Do livro: VAIANDO O SOL – O melhor do humor e da molecagem cearense de Tarcisio Matos

 

Bernardino, vendedor de rapadura no Cariri, empunhava uma peixeira (“lambedeira”), doze polegadas de fazer inveja – herança do falecido pai. Súbito, ao abaixar-se para apanhar rapaduras, o cabo da faca aparece, ocasião em que, coincidentemente, ali passava um homem, que o adverte:

            - Por acaso o senhor não sabe que é proibido portar faca na cidade?

            - Não, pelo amor de Deus, eu não sabia…

            - O jeito é o senhor me entregar a arma…

            Sentido pela perda da relíquia, Bernardino já nem sentia ânimo em vender suas rapaduras. Chega uma senhora e o vê acabrunhado. Bernardino conta o ocorrido. Ela pergunta quem lhe tomou a peixeira, ele responde: “uma autoridade”, Ela pede que o aponte.

            - Aquele ali, no meio da praça, conversando com seu Otávio!

            Assustada ela dá o toque:

            - Vixe, Bernardino! Aquele é o juiz de Direito da cidade!

            Mais que depressa, o vendedor de rapadura larga tudo, corre até o homem, pega-o pelo colarinho e aponta o dedo na cara.

            - Se enxergue, seu bosta! Me dê cá minha faca! E eu feito besta, pensando que tu era soldado da polícia!…

 

 

 

 

Mulher bate na porta da casa de Edmilson Freire.

            - Ô de casa!

            Do fundo duma rede, ele só pergunta quem é. A voz responde esperançosa:

            - É uma esmola, meu senhor!

            - Pois bote aí por debaixo da porta que depois eu pego.

Publicado em: on 22 07pmSat, 05 Jul 2008 14:10:17 +0000ç2008 2008 at 2:10 pm Deixe um comentário

O URI para Trackback deste artigo é: http://espetaculodavida.wordpress.com/2008/07/05/rir-e-preciso-3/trackback/

Feed RSS dos comentários deste post

Leave a Comment