O LINGUAJAR CEARENSE (continuação 2)

CORDEL: O LINGUAJAR CEARENSE

AUTORA: JOSENIR DE LACERDA

CADEIRA Nº 3 DA ACADEMIA DOS CORDELISTAS DO CRATO

 

 

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Neste cordel-dicionário

Eu pretendo registrar

O rico vocabulário

Da criação popular

No Ceará garimpei

Juntei tudo, compilei

Ao leitor quero ofertar

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Parteira era cachimbeira

Dar mergulho é tibungar

Tem cucuruto, moleira

Olhar demais é cubar

Tem ainda ternontonte

Que vem antes do antonte

Ver de soslaio é brechar

 

Quem briga bota boneco

Sem valor é fulerage

Copo pequeno é caneco

Estrada boa é rodage

O tristonho é capiongo

Galo ou inchaço é mondrongo

E a ralé é catrevage

 

O velho ovo estrelado

É o bife do oião

Nervoso é atubibado

Repreender é carão

O zarolho é carôi

Enviezado, zanôi

Inquieto éfrivião

 

A perna fina é cambito

Dar o fora é azular

Muito magrelo é sibito

Pisar manco é canxingar

Rêde pequena é tipóia

Tudo bem é tudo jóia

Fazer troça é caçoar

 

A expressão “dá relato”

Que atinge mais de légua

“Tá ca peste!” “Só no Crato”

“Vôte”, “Ôxente” e “Arre égua!”

“Corra dentro!” “Qué cirmá?”

“É de rosca?” “É de lascar!”

 

Se é muito longe, arrenego

Que Deus do céu nos acuda

É pra lá da caixa prego

Lá no calcanhar do Judá

Nas bimboca ou cafundó

Nas brenha ou caixa bozó

Onde o vento a rota muda

Publicado em: on 22 07amFri, 18 Jul 2008 10:10:21 +0000ç2008 2008 at 10:10 am Deixe um comentário

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