CORDEL: O LINGUAJAR CEARENSE
AUTORA: JOSENIR DE LACERDA
CADEIRA Nº 3 DA ACADEMIA DOS CORDELISTAS DO CRATO
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Neste cordel-dicionário
Eu pretendo registrar
O rico vocabulário
Da criação popular
No Ceará garimpei
Juntei tudo, compilei
Ao leitor quero ofertar
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Parteira era cachimbeira
Dar mergulho é tibungar
Tem cucuruto, moleira
Olhar demais é cubar
Tem ainda ternontonte
Que vem antes do antonte
Ver de soslaio é brechar
Quem briga bota boneco
Sem valor é fulerage
Copo pequeno é caneco
Estrada boa é rodage
O tristonho é capiongo
Galo ou inchaço é mondrongo
E a ralé é catrevage
O velho ovo estrelado
É o bife do oião
Nervoso é atubibado
Repreender é carão
O zarolho é carôi
Enviezado, zanôi
Inquieto éfrivião
A perna fina é cambito
Dar o fora é azular
Muito magrelo é sibito
Pisar manco é canxingar
Rêde pequena é tipóia
Tudo bem é tudo jóia
Fazer troça é caçoar
A expressão “dá relato”
Que atinge mais de légua
“Tá ca peste!” “Só no Crato”
“Vôte”, “Ôxente” e “Arre égua!”
“Corra dentro!” “Qué cirmá?”
“É de rosca?” “É de lascar!”
Se é muito longe, arrenego
Que Deus do céu nos acuda
É pra lá da caixa prego
Lá no calcanhar do Judá
Nas bimboca ou cafundó
Nas brenha ou caixa bozó
Onde o vento a rota muda