O LINGUAJAR CEARENSE (continuação 4 – última parte)

CORDEL: O LINGUAJAR CEARENSE

AUTORA: JOSENIR DE LACERDA

CADEIRA Nº 3 DA ACADEMIA DOS CORDELISTAS DO CRATO

 

 

…………………………………………..

Neste cordel-dicionário

Eu pretendo registrar

O rico vocabulário

Da criação popular

No Ceará garimpei

Juntei tudo, compilei

Ao leitor quero ofertar

……………………………………

 

A bebida e o seu rol

No Ceará todo habita

A fubaia e o merol

A truaca e a birita

Amansa sogra ou quentinha

A meropéia e a mardita

 

O picolé no saquinho

Aqui se chama dindim

Se é o dedo menorzinho

É chamado de mindim

Riso sonoro é gaitada

Confusão é presepada

Atrevido é saidin

 

Papo longo e sem valor

É “miolo de pote”

Muito esperto é vivedor

Adolescente é frangote

Soldado raso é samango

A lagartixa é calango

O tabefe é cocorote

 

A lista é quase sem fim

Não cabe num só cordel

Tem alpercata, alfinim

Enrabichada e berel

Chué, baé, avexado

Bãe de cuia, oi bribado

Quebra-queixo e carretel

 

Tem visage, sarará

Tem bruguelo e inxirido

Rabiçaca e aluá

Ispritado  e zói cumprido

Bunda canastra, lundú

Dona encrenca, sabacu

Bonequeiro e maluvido

 

O cearense é assim:

Dá cotoco à nostalgia

A tristeza leva fim

Na cacunda da euforia

dá de arrudei na carência

enrola a sobrevivência

e embirra na alegria.

Publicado em: on 22 07amMon, 21 Jul 2008 10:48:21 +0000ç2008 2008 at 10:48 am Deixe um comentário

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