CORDEL: O LINGUAJAR CEARENSE
AUTORA: JOSENIR DE LACERDA
CADEIRA Nº 3 DA ACADEMIA DOS CORDELISTAS DO CRATO
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Neste cordel-dicionário
Eu pretendo registrar
O rico vocabulário
Da criação popular
No Ceará garimpei
Juntei tudo, compilei
Ao leitor quero ofertar
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A bebida e o seu rol
No Ceará todo habita
A fubaia e o merol
A truaca e a birita
Amansa sogra ou quentinha
A meropéia e a mardita
O picolé no saquinho
Aqui se chama dindim
Se é o dedo menorzinho
É chamado de mindim
Riso sonoro é gaitada
Confusão é presepada
Atrevido é saidin
Papo longo e sem valor
É “miolo de pote”
Muito esperto é vivedor
Adolescente é frangote
Soldado raso é samango
A lagartixa é calango
O tabefe é cocorote
A lista é quase sem fim
Não cabe num só cordel
Tem alpercata, alfinim
Enrabichada e berel
Chué, baé, avexado
Bãe de cuia, oi bribado
Quebra-queixo e carretel
Tem visage, sarará
Tem bruguelo e inxirido
Rabiçaca e aluá
Ispritado e zói cumprido
Bunda canastra, lundú
Dona encrenca, sabacu
Bonequeiro e maluvido
O cearense é assim:
Dá cotoco à nostalgia
A tristeza leva fim
Na cacunda da euforia
dá de arrudei na carência
enrola a sobrevivência
e embirra na alegria.