Do livro “No Tempo de Lampião”, pg. 65 de Leonardo Mota:
2.ª Edição. Imprensa Universitária do Ceará – 1967
Fortaleza
Leonardo Mota, n. a 10.05.1891 em Pedra Branca-CE, f. em Fortaleza-CE a 02.01.1948
Bacharel pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro em 1916. É considerado o Príncipe dos folcloristas nacionais.
APERTADA HORA
“A expressão sertaneja ir ao mato tem o mesmo significado duns tantos verbos que a linguagem polida evita, substituindo-os pela locução fazer uma necessidade. Não há necessidade de dizer que necessidade é essa…
No Ceará, um matuto da zona setentrional tomou o “Itapeua” no porto de Camucim, rumo de Fortaleza. Era a primeira viagem marítima que fazia. Logo que chegou a bordo, festejou o acontecimento com duas garrafas de cerveja gelada. Não enjoou e foi à mesa, dando conta de quantos pratos o cardápio apresentava. Mas, talvez por isso mesmo, por não haver enjoado, é que, satisfeito da vida, o “marinheiro de primeira viagem” não teve a elementar prudência de se informar a respeito do local de certas dependências do paquete. À noite, depois do jantar, sentiu fortes cólicas intestinais e começou a dar mostras de inquietação. Subiu e desceu escadas, mas nada de acertar o que queria. E, de momento a momento, a situação se tornava mais vexatória. Foi nesse estado que o infeliz, a suar frio por todos os poros e extremamente pálido, se decidiu a por a vergonha de lado e suplicou a outro passageiro:
- Cidadão, por caridade, depressa, me ensine onde é O MATO deste navio!”