Rir é preciso

Do livro: PORTUGUÊS DIVERTIDO de Abdias Lima

                Editora Henriqueta Galeno

                Fortaleza – Ceará – 1975

 

“Dois amigos vinham caminhando pela rua, quando um deles viu duas mulheres que vinham vindo em sua direção:

            - Santa mãe, ali vêm a minha mulher e a minha amante.

            E o outro:

            - Putz, você me tirou a palavra da boca.

 

           

 

            Patrão para a empregada: – Quer mostrar suas referências?

            - Aqui, na frente de todo mundo?

Publicado em:  on 22 08pmWed, 20 Aug 2008 12:01:32 +0000ç2008 2008 at 12:01 pm Deixe um comentário

A poesia preferida da poeta

Do livro: CHUVAS DE VERÃO da poeta amiga Margarida Maria Alacoque

 

 

PALMATÓRIA DO MUNDO

 

Para ser palmatória do mundo

Criei minhas próprias leis.

Fiz um império retilíneo

minha cabeça era o Rei.

Mas ao dobrar a esquina

vi os ângulos, as curvas,

as sinuosas.

Atravessei um túnel escuro.

E tive que ficar parada no mirante

vendo a vida passar

sem que ela obedecesse

a nenhuma das minhas ordens.

Publicado em:  on 22 08pmTue, 19 Aug 2008 15:13:13 +0000ç2008 2008 at 3:13 pm Deixe um comentário

rola na net

Rir é preciso…

e pior que é verdade!

 

 

Um sujeito vai visitar um amigo deputado e aproveita para lhe pedir um emprego para o seu filho que tinha acabado de completar o supletivo do 1º grau.

- Eu tenho uma vaga de assessor, só que o salário não é muito.

- Quanto doutor?

- Pouco mais de 10 mil reais.

- Dez Mil!!!!???? Mas é muito dinheiro para o garoto! Ele não vai saber o que fazer com tudo isso não, doutor!!!! Não tem uma vaguinha mais modesta?

- Só se for para trabalhar na Assembléia. Meio período e eles estão pagando só 7 mil!

- Ainda é muito doutor! Isso vai acabar estragando o menino!

- Bom, então tenho uma de consultor. Estão pagando 5 mil reais por mês, serve?

- Isso tudo é muito ainda, doutor.. O Senhor não tem um emprego que pagasse uns mil e quinhentos ou até dois mil reais???

- Ter, até tenho, mas aí é só por concurso e é para quem tem curso superior, pós-graduação ou mestrado, bons conhecimentos em informática, domínio da língua portuguesa e conhecimentos gerais. Além do mais ele terá que comparecer ao trabalho todos os dias…

Publicado em:  on 22 08pmMon, 18 Aug 2008 19:12:01 +0000ç2008 2008 at 7:12 pm Deixe um comentário

gramática do absurdo

Do livro: gramática do absurdo do cearense Padre Antonio Vieira

                Editora: Imprensa Oficial

                Ano: 1985

 

Em uma cidade do interior …

 

… um jornalzinho local composto no sistema do cata-milho, publicando a nota social do casamento da sobrinha do Vigário com o filho de um abastado comerciante – Fulano de Tal da Costa, e que a festa foi abrilhantada  com a Banda de Música da Prefeitura, deixou escapar alguns gatos tipográficos de somenos importância, que levou o jornal a ser empastelado. A nota saiu assim:

 

“NA TARDE DO DIA 15 DE JANEIRO, NA MATRIZ DESTA CIDADE, CAGARAM-SE A OBRINHA DO VIGÁRIO – AI  DE LEITE, COM O JOVEM FELICIANO DA BOSTA, FILHO DE ABESTADO COMERCIANTE DESTA PRAÇA, TENDO SIDO A FESTA SOCIAL ANIMADA COM A BUNDA DE MÚSICA DA PREFEITURA.”

 

            Não são apenas as letras que podem complicar o conteúdo de um escrito. Rui Barbosa advertia:

            “Nos monumentos escritos de História, ou da lei, um ponto, ou uma vírgula podem encerrar os destinos de um mandamento, de uma instituição, ou de uma verdade”.

Publicado em:  on 22 08amSun, 17 Aug 2008 11:55:31 +0000ç2008 2008 at 11:55 am Deixe um comentário

NO CENTRO DO DESERTO

Do livro: Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry

Livraria José Olympio Editôra Rio de Janeiro – 1965

 

 

NO CENTRO DO DESERTO

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Ontem eu marchava sem esperança. Hoje essas palavras perderam o sentido. Hoje caminhamos por caminhar. Como bois no trabalho. Ontem eu sonhava com paraísos de laranjeiras. Hoje não há mais paraísos para mim. Não creio mais na existência de laranjas.

            Não descubro mais nada em mim, a não ser meu coração seco. Vou cair, e não sinto desespero. Nem mesmo tenho pena de mim. E isto é triste, porque essa mágoa íntima seria doce como água. Às vezes a gente tem piedade de si mesmo e lamenta o próprio destino como se fosse o de um amigo. Mas eu não tenho mais amigos.

             Quando me encontrarem, os olhos queimados, imaginarão que gritei muito e sofri muito. Mas os arroubos, as queixas, a ternura do sofrimento – tudo isso ainda são riquezas. E não tenho mais riquezas. As suaves adolescentes, na noite de seu primeiro amor sentem uma espécie de tristeza e choram. A tristeza está ligada aos frêmitos da vida. E eu não tenho mais tristeza…

            O deserto sou eu. Já não mais formo saliva; já não mais formo também as doces imagens pelas quais poderia chorar. O sol secou em mim a fonte das lágrimas.

            Entretanto, que foi que percebi? Um sopro de esperança passou por mim como uma lufada no mar. Que sinal é esse que vem alertar o instinto antes de chegar à consciência? Nada mudou, todavia tudo está mudado. Esse lençol de areia, essas dunas e essas leves manchas de verdura não são mais uma paisagem, são um cenário. Um cenário ainda vazio, mas já preparado.

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            Juro que vai acontecer alguma coisa…

            Juro que o deserto se animou… Juro que essa ausência, que esse silêncio são mais comoventes que um tumulto na praça pública…

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Publicado em:  on 22 08amSat, 16 Aug 2008 09:59:52 +0000ç2008 2008 at 9:59 am Deixe um comentário

de Stanislaw Ponte Preta

Do livro: MÁXIMAS INÉDITAS DE TIA ZULMIRA de Stanislaw Ponte Preta

Editora CODECRI

Rio de Janeiro – 1976

 

O fato de um homem ser muito preparado não

     implica em que ele seja um bom político;

Creolina também é preparado e limpa latrina.

 

A coruja não pia de dia porque

     enxerga demais de noite.

 

Uma feijoada só é realmente completa

quando tem até uma ambulância de plantão.

 

Mulher e livro… emprestou volta estragado.

 

No Brasil a imunidade parlamentar existe

            para poucos deputados.

Para a grande maioria o que existe mesmo é a

              impunidade parlamentar.

 

Pra que andar espalhando que

             Brasília é obra do homem?

Basta olhar para ver que Deus seria incapaz de

            semelhante temeridade

Publicado em:  on 22 08amFri, 15 Aug 2008 02:21:48 +0000ç2008 2008 at 2:21 am Deixe um comentário

Uma tia que procura o marido

História de Loucos

 

Do livro: “MUNDO DOS CORONÉIS” de Antonio Barroso Pontes

Segunda Edição – Rio de Janeiro – 1970

 

 

 

 

 

 

…não podia deixar de recordar um caso verificado com uma minha tia, quando corria o ano de 1926, e eu estava passando uma temporada na residência dos parentes de meu pai, na Rua 24 de Maio, em Fortaleza.

            Rica, bonitona, da melhor sociedade da capital alencarina, a minha tia Sindô ostentava uma vaidade impressionante, especialmente com o adorno de jóias caríssimas.

            Certa manhã, logo após o café matinal, ordenou-me ela, em tom severo:

            - Toinho, troque sua roupa branca, calce as botinas pretas, ponha a gravata de laço e vamos sair.

            Ora, eu que já me preparava para a “pelada” na praia de Iracema fui tomado de grande tristeza e revolta. Contudo, perguntei:

             - Para onde vamos titia?

            - Vou lhe proporcionar uma grande satisfação em sua vida. Vamos passear, visitar o Passeio Público, o Asilo e você tomará sorvete na calçada da Farmácia Pasteur. E ainda dará um passeio de bonde.

            Nada disso estava me interessando. O molecório me esperava na praia e o que eu queria era jogar e tomar banho de mar. Mas que poderia eu fazer? Qual a saída de um sobrinho pobre, diante de uma tia rica? Era obedecer e concordar, calado, sem ao menos resmungar.

            E saímos pela rua, ela distribuindo simpatia e eu me vendo doido com os calos das botinas. Pegamos o bonde e fomos direto a Parangaba em visita ao Asilo.

            Ao penetrarmos no casarão, andei me apavorando com tanta gente magra, cabeluda, uns aparentemente equilibrados e outros ostentando a mais triste das desgraças humanas.

            Em certa dependência, minha tia, que relembrava uma duquesa em férias, descobriu um homem de boa aparência, bem vestido, com uma luneta à frente dos olhos, na direção do céu azul.

            Dona sindô fitou o homem que lhe parecia um profeta, e perguntou com a maior delicadeza:

            - Que é que o cavalheiro está vendo através dessa luneta?

            Com admirável seriedade e respeito, o homem respondeu:

            - Estou vendo outro mundo.

            - Notável, disse a tia Sindô. Seria possível ao senhor procurar ver, com esse magnífico telescópio, se o meu marido se encontra no céu, no inferno ou no purgatório?

            - Pois não, Excelência.

            E volta a olhar para o firmamento, manobrando a luneta em vários sentidos e terminando por apontá-la para o chão. Aí, visivelmente atarefado em desincumbir-se de sua missão, disse com a luneta ainda nos olhos:

            - Não está no céu.

            Mais uma manobra e afirma:

            - Não está no purgatório.

            Fazendo em seguida outro movimento, constata, por outro lado, que o homem não está no inferno.

            Nisto, Dona Sindô comentou:

            - Mas ele tem que estar no céu, no purgatório ou no inferno, desde que morreu há quinze anos e não se encontra no mundo dos vivos.

            O homem da luneta, demonstrando muita delicadeza e o imperturbável desejo de encontrar o marido de minha tia, olhando mais uma vez para o céu, disse com certo alarme e euforia:

            Ah! Lá está ele, na porta do céu, há quinze anos, sem poder entrar.

            E a minha tia, insistente:

            - Que estará ele fazendo há tantos anos na porta do céu?

            Com toda seriedade, o “cientista” responde:

            - São Pedro está serrando os chifres dele.

Publicado em:  on 22 08pmThu, 14 Aug 2008 17:18:25 +0000ç2008 2008 at 5:18 pm Deixe um comentário

“PORQUE FUI CASSADO”

Do livro: “PORQUE FUI CASSADO” do pe. Antonio Vieira

               

Pe. Antonio Vieira foi deputado federal 1967/1968, cassado, nascido no estado do Ceará.

 

Análise da Revolução à Luz do Humanismo Cristão

Cristo disse que a carne é fraca. Mas mais fraco é quem não come carne. Mais fraco ainda é o Governo que não permite ao operário comer diariamente um naco de carne.

 

Do discurso proferido na Câmara Federal

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Não pode haver democracia para anjos nem para santos no céu. Toda solução política deve atingir o homem e a ele ser dirigida. Não há liberdade nem democracia fora do homem. Não pode haver democracia quando o homem está anulado. Não há democracia quando somos escravos da fome, da ignorância, das doenças.

A pior ditadura não é a que fecha os lábios para não falarem. É a que fecha a boca para não comer. É a que fecha a inteligência para não aprender. É a que fecha o coração pelo ódio, pelo desespero, pela desconfiança.

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Publicado em:  on 22 08pmWed, 13 Aug 2008 14:27:25 +0000ç2008 2008 at 2:27 pm Deixe um comentário

de Stanislaw Ponte Preta

Do livro: MÁXIMAS INÉDITAS DE TIA ZULMIRA de Stanislaw Ponte Preta

Editora CODECRI

Rio de Janeiro – 1976

 

Entre as três coisas

melhores desta vida,

comer está em

segundo e dormir

em terceiro.

 

Viver é fácil; saber viver é que é dureza.

 

Em rio que tem piranha é melhor nadar de costas.

 

Enquanto houver mandioca a farinha

         está garantida.

 

A frase “O Brasil está à beira do abismo”

é tão velha e o Brasil tão abismal, que é bem

possível que o Brasil já esteja no lugar

do abismo e o abismo no lugar do Brasil.

Publicado em:  on 22 08pmTue, 12 Aug 2008 20:05:40 +0000ç2008 2008 at 8:05 pm Deixe um comentário

No túmulo de Sparkenbroke

Do livro: SPARKENBROKE de Charles Morgan

 

Algum mortal, em meio à humana lida,

Lamenta acaso quem aqui repousa?

Chora o teu próprio exílio e não a minha vida!

Com a Terra por mãe, o Sono por esposa –

Ó frios ventos hibernais, correi! –

Que a primavera aqui tem imortal guarida,

Quem é que hesita? Um imbecil. Quem bate? O Rei.

Publicado em:  on 22 08pmSat, 09 Aug 2008 16:17:15 +0000ç2008 2008 at 4:17 pm Comentários (2)