Trecho da peça: A Pena e a Lei (Pg. 154)

Do livro: A PENA E A LEI  de Ariano Suassuna

                AGIR EDITORA LTDA

                Rio de Janeiro – RJ

 

 

“Ai! Ela conhece

a buzina do meu carro:

quando eu apito,

vem, correndo, me esperar!

Marietinha,

minha negra, meu chamego,

meu focinho de borrego,

meu xodó, meu resedá!

Ai! Ô Marieta,

você quer casar comigo?

Ô Marieta,

vamos embora mais eu!

Ô Maritea,

por tudo quanto é sagrado,

depois de nós dois casados,

tu não bota chifre n’eu!”

Publicado em: on 22 09amTue, 30 Sep 2008 04:11:27 +0000ç2008 2008 at 4:11 am Deixe um comentário

viajando II

Sonoros

Canoros

vivenciados

vão-se lágrimas insossas

desabam-se os temores

descobre-se o amor

em volúpias ardentes.

Saram feridas

sentem-se prazeres exotéricos

acabam-se as dores

e a partir daí vive-se sem penúrias

e na primavera

habita

a certeza da vida feliz

levada pela lembrança e pela realidade sutil.

Publicado em: on 22 09pmMon, 29 Sep 2008 21:54:00 +0000ç2008 2008 at 9:54 pm Deixe um comentário

USOS E SUPERSTIÇÕES CEARENSES (3)

Do livro: ANTOLOGIA DO FOLCLORE CEARENSE de Florival Seraine

                Edições UFC – Fortaleza – 1983

 

Publicadas inicialmente em 1910, há quase cem anos…

 

USOS E SUPERSTIÇÕES CEARENSES

 

                                   Guilherme Studart (1856-1948)

(Em REVISTA DA ACADEMIA CEARENSE, Fortaleza, 1.15: 28-37, 1910)

 

- Achar um trevo de quatro folhas é sinal de próximo casamento.

- Passar por baixo de uma escada de mão atrai infortúnio.

- Para cura da gagueira, bate-se na cabeça do gago três vezes com uma colher de pau e quem bate se esconde.

- Assoviar à noite chama cobra.

- Canto de galo ao anoitecer é sinal da fuga de alguma moça.

- Quem tira botija de dinheiro e fecha o buraco, morre.

- Mulher que pega no badalo do sino de uma igreja consagrada a São Sebastião não terá filhos.

Publicado em: on 22 09pmSun, 28 Sep 2008 17:31:50 +0000ç2008 2008 at 5:31 pm Deixe um comentário

Viajando

Nefasto é o caminho a ser seguido

vivendo assim tudo se consome

a vida, a tristeza, a alegria.

Separados pelo oceano 

caminhando devagar

às vezes seguro

ou em momentos incertos

desprezando a morte

vamos moendo e remoendo remorsos.

E após uma música sonora tudo se renova

até meu espírito conturbado.

Publicado em: on 22 09pmSat, 27 Sep 2008 17:08:40 +0000ç2008 2008 at 5:08 pm Deixe um comentário

Em noite de São João

Do livro: ANTOLOGIA DO FOLCLORE CEARENSE de Florival Seraine

                Edições UFC – Fortaleza – 1983

 

Publicadas inicialmente em 1910, há quase cem anos…

 

USOS E SUPERSTIÇÕES CEARENSES (2)

 

                                   Guilherme Studart (1856-1948)

(Em REVISTA DA ACADEMIA CEARENSE, Fortaleza, 1.15: 28-37, 1910)

 

 

- Em noite de São João, introduz-se numa bananeira uma faca que ainda não tenha servido; no dia seguinte, aparecerá na faca a inicial da noiva ou do noivo.

- Em noite de São João, põe-se uma bacia ou tigela com água e olha-se para dentro; se não se vê a figura é que se morrerá nesse mesmo ano. Outros fazem a experiência olhando para o fundo de uma cacimba.

- Em noite de São João, duas agulhas metidas numa bacia d’água indicam casamento se as agulhas se ajuntarem.

- Em noite de São João, escrevem-se em papelitos os nomes de várias pessoas, enrolam-se os papelitos e se os põem numa vasilha com água; o papel que amanhecer desenrolado indicará o nome da noiva ou noivo.

- Em noite de São João, enche-se a boca de água e fica-se detrás da porta da rua; o 1.º nome que se ouvir é o do noivo ou noiva.

- Em noite de São João, tomam-se três pratos, um sem água, outro com água limpa e o 3.º com água suja; quem faz a experiência aproxima-se com os olhos vendados e põe a mão sobre um deles: o prato sem água não dá casamento, o de água suja indica que o casamento será com viúvo, e o de água limpa, casamento com solteiro.

- Em noite de São João, põe-se uma moeda de vintém na fogueira e tira-se para dá-la no dia seguinte ao primeiro pobre que aparecer; o nome do pobre é o do noivo.

- Em noite de São João, dão-se nós nas quatro pontas do lençol, tendo-se previamente escrito nelas os nomes de quatro pessoas queridas, mas os nós sendo bem frouxos; ao amanhecer o nó que estiver desmanchado, indicará o nome do futuro esposo ou esposa.

- Em noite de São João, põe-se um pouco de clara do ovo num copo contendo água; no dia seguinte, aparece uma igreja (casamento) ou um navio (viagem próxima), etc. etc.

- Em noite de São João, passa-se sobre a fogueira um copo contendo água, mete-se no copo sem que atinja a água um anel de aliança preso por um fio, e fica-se a segurar o fio; tantas são as pancadas dadas pelo anel nas paredes do copo quantos anos que o experimentador terá de esperar por casamento.

- Em noite de São João, quem no escuro tirar numa pimenteira uma pimenta verde, casará com moço; se encarnada, casará com velho.

Publicado em: on at 4:59 pm Deixe um comentário

Respostas das ADVINHAS DO SERTÃO (II)

1 – É botão

2 – É cachimbo

3 – É sal

4 – É lima

5 – É brinco de orelha.

6 – É pimenta

7 – É fumo

8 – É pião

9 – É um terço de orações.

10 – É a vela.

Publicado em: on 22 09amFri, 26 Sep 2008 00:07:38 +0000ç2008 2008 at 12:07 am Deixe um comentário

Respostas das ADVINHAS DO SERTÃO (I)

 

1 – È cavaco.

2 – É fogo.

3 – É catarro.

4 – É piolho

5 – É chuva

6 – É cachaça, porque Deus dá o juízo e a cachaça tira.

7 – É baralho.

8 – É sepultura

9 – É seu semelhante

10 – É sombra

11 – É a Ave-Maria

Publicado em: on at 12:07 am Deixe um comentário

USOS E SUPERSTIÇÕES CEARENSES (1)

Do livro: ANTOLOGIA DO FOLCLORE CEARENSE de Florival Seraine

                Edições UFC – Fortaleza – 1983

 

Publicadas inicialmente em 1910, há quase cem anos…

 

USOS E SUPERSTIÇÕES CEARENSES

 

                                   Guilherme Studart (1856-1948)

(Em REVISTA DA ACADEMIA CEARENSE, Fortaleza, 1.15: 28-37, 1910)

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- Não se põe menino de peito diante de espelho sob pena de se lhe retardar a fala.

- Quando se extrai um dente podre a uma criança, se atira o dente ao telhado da casa, proferindo as palavras:

                        Mourão, mourão,

                        Toma teu dente podre,

                        Dê cá o meu são.

- Para fazer a criança falar depressa, dá-se-lhe a beber água de chocalho.

- Em dia  de Sexta-feira Santa não se varre casa nem se penteia o cabelo.

-Não se deve espanar teias de aranha para não espantar a felicidade.

- Contar história durante o dia faz criar rabo.

- Chinelo emborcado traz infelicidade.

- Passar a vassoura, ao varrer a casa, pelos pés de um transeunte, é condená-lo ao celibato.

- Quem aponta para as estrelas cria verruga.

- Um chifre de boi enfiado numa vara e posto no meio do cercado evita prejuízo ou mau olhado às plantações. Alguns donos de mercearia ou venda usam também do chifre para chamar freguesia.

- Quem mata gato tem sete anos de atraso.

- Sonhar com dentes é morte; se com os da frente, é morte de parente próximo.

- Passar a perna por cima da cabeça de alguém é condená-lo a não crescer mais.

- Uivo de cão à noite é sinal de morte.

Publicado em: on 22 09pmWed, 24 Sep 2008 13:06:40 +0000ç2008 2008 at 1:06 pm Deixe um comentário

ADVINHAS DO SERTÃO (II)

Do livro: ANTOLOGIA DO FOLCLORE CEARENSE de Florival Seraine

                Edições UFC – Fortaleza – 1983

                 Pg. 114

 

ADVINHAS DO SERTÃO (II)

Leonardo Mota(1891-1948)

(Em CANTADORES – 1ª. Ed. – pp. 355-369)

 

1 – O que é, que é?

            Somos diversos irmãos,

            Moramos num arruado;

            Quando um de nós erra a casa,

            Todos nós vamos errados.

 

2 – O que é, que é: açude de barro, sangrador de pau?

 

3 – O que é, que é:

            Nágua nasci,

            Nágua me criei

            Se nágua me botarem,

            Nágua morrerei.

 

4 – O que é, que é:

            São duas irmãs no nome

            Mas não são no parecer.

            A primeira a gente come,

            A outra serve para comer…

 

5 – O que é, que é:

            A carne da moça é dura,

            Mais dura quem a furou;

            Meteu o duro no mole,

            E o duro dependurou.

 

6 – O que é, que é?:

            A mãe é verde,

            A filha é encarnada;

            A mãe é mansa,

            A filha é danada.

 

7 – O que é, que é?:

            Verde foi meu nascimento

            Mas de luto me cobri,

            Para dar gosto no mundo

            Pelos ares me sumi.

 

8 – O que é, que é?:

            Com capa não anda,

            Sem capa não pode andar;

            Para andar bota-se a capa,

            Tira-se a capa para andar.

 

9 – O que é, o que é?:

            Cinqüenta e cinco soldados,

            Todos cabem numa mão;

            Os cinqüenta pedem AVE,

            Mas os cinco pedem Pão.

 

10 – Qual é o bicho que morre em pé?

 

Respostas em alguns dias

Publicado em: on 22 09pmTue, 23 Sep 2008 12:43:20 +0000ç2008 2008 at 12:43 pm Deixe um comentário

ADVINHAS DO SERTÃO (I)

Do livro: ANTOLOGIA DO FOLCLORE CEARENSE de Florival Seraine

                Edições UFC – Fortaleza – 1983

                Pg. 112

 

 

ADVINHAS DO SERTÃO (I)

Leonardo Mota(1891-1948)

(Em CANTADORES – 1ª. Ed. – pp. 355-369)

 

1 – Que é que todos dão e o carpina faz?

2 – Que é corre no mato e no limpo esbarra?

3 – Que é que o pobre bota no mato e o rico ajunta?

4 – Que é que anda com os pés pela cabeça?

5 – Que é que cai em pé e corre deitado?

6 – Que é que pode mais do que Deus?

7 – Que é que se bota na mesa, se parte e se reparte, mas não se come?

8 – O que é que quem faz não quer, quem quer não vê e quem vê não deseja?

9 – O que é que Deus nunca viu, o Rei vê lá uma vez ou outra e o homem vê todo dia?

10 – Qual é a primeira coisa que o boi faz quando o sol se levanta?

11 – Qual é a ave que não tem pena?

Respostas em alguns dias

Publicado em: on 22 09amMon, 22 Sep 2008 11:16:23 +0000ç2008 2008 at 11:16 am Deixe um comentário