Do livro: ANTOLOGIA DO FOLCLORE CEARENSE de Florival Seraine
Edições UFC – Fortaleza – 1983
Publicadas inicialmente em 1910, há quase cem anos…
USOS E SUPERSTIÇÕES CEARENSES
Guilherme Studart (1856-1948)
(Em REVISTA DA ACADEMIA CEARENSE, Fortaleza, 1.15: 28-37, 1910)
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- Não se põe menino de peito diante de espelho sob pena de se lhe retardar a fala.
- Quando se extrai um dente podre a uma criança, se atira o dente ao telhado da casa, proferindo as palavras:
Mourão, mourão,
Toma teu dente podre,
Dê cá o meu são.
- Para fazer a criança falar depressa, dá-se-lhe a beber água de chocalho.
- Em dia de Sexta-feira Santa não se varre casa nem se penteia o cabelo.
-Não se deve espanar teias de aranha para não espantar a felicidade.
- Contar história durante o dia faz criar rabo.
- Chinelo emborcado traz infelicidade.
- Passar a vassoura, ao varrer a casa, pelos pés de um transeunte, é condená-lo ao celibato.
- Quem aponta para as estrelas cria verruga.
- Um chifre de boi enfiado numa vara e posto no meio do cercado evita prejuízo ou mau olhado às plantações. Alguns donos de mercearia ou venda usam também do chifre para chamar freguesia.
- Quem mata gato tem sete anos de atraso.
- Sonhar com dentes é morte; se com os da frente, é morte de parente próximo.
- Passar a perna por cima da cabeça de alguém é condená-lo a não crescer mais.
- Uivo de cão à noite é sinal de morte.