saudade

Do livro: Palavras aos que ainda Ouvem do Prof. Raimundo Bezerra Falcão

                UFC – 1999

 

“Momentos que passam…

Momentos que ficam…

            Felizmente para o afeto, felizmente para a amizade, felizmente para o amor, felizmente para a saudade – sobretudo para a saudade -, há instantes que teimam ficar, mesmo quando, em meio ao torvelinho constante das nossas atividades, as andanças da vida mudam de rumo, alterando ambientes, inovando vivências.

            E se o tempo é a medida das coisas que passam, a memória, marcada por relembranças, não somente é a negação do próprio tempo, mas também a garantia perene dos sentimentos que ficam. E é por causa da memória, calcada no afeto, timbrada de amizade, sublimada no amor, mas atualizada na saudade, que, muitas vezes, o momento de partir é o instante de voltar. Por isso é que, ao partir, às vezes ficamos. Ou não partimos solitariamente, pois a única solidão verdadeira é a solidão dos esquecidos.”

Publicado em:  on 22 11pmSun, 30 Nov 2008 17:23:35 +0000ç2008 2008 at 5:23 pm Deixe um comentário

Repetição merecida

O GENIAL PROGRAMA DE INSTALAÇÃO DA PADARIA ESPIRITUAL

 

Estatuto da Padaria Espiritual

 

  1. Fica organizada, nesta cidade de Fortaleza, capital da “Terra da Luz”, antigo Siará Grande, uma sociedade de rapazes de Letras e Artes, denominada Padaria Espiritual, cujo fim é fornecer pão de espírito aos sócios em particular, e aos povos, em geral.
  2. A Padaria Espiritual se comporá de um Padeiro-Mór (presidente), de dois Forneiros (secretários), de um Gaveta (tesoureiro), de um Guarda-livros na acepção intrínseca da palavra (bibliotecário), de um Investigador das Coisas e das Gentes, que se chamará Olho da Providência, e demais Amassadores (sócios). Todos os sócios terão a denominação geral de Padeiros.
  3. Fica limitado em vinte o número de sócios, inclusive a Diretoria, podendo-se, porém, admitir sócios honorários que se denominarão Padeiros-livres.
  4. Depois da instalação da Padaria, só será admitido quem exibir uma peça literária ou qualquer outro trabalho artístico que for julgado decente pela maioria.
  5. Haverá um livro especial para registrar-se o nome comum e o nome de guerra da cada Padeiro, sua naturalidade, estado, filiação e profissão a fim de poupar-se à Posteridade o trabalho dessas indagações.
  6. Todos os Padeiros terão um nome de guerra único, pelo qual serão tratados e do qual poderão usar no exercício de suas árduas e humanitárias funções.
  7. O distintivo da Padaria Espiritual será uma haste de trigo cruzada de uma pena, distintivo que será gravado na respectiva bandeira, que terá as cores nacionais.
  8. As fornadas (sessões) se realizarão diariamente, à noite, à excepção das quintas-feiras, e aos domingos, ao meio-dia.
  9. Durante as fornadas, os Padeiros farão a leitura de produções originais e inéditas, de quaisquer peças literárias que encontrarem na imprensa nacional ou estrangeira e falarão sobre as obras que lerem.
  10. Far-se-ão dissertações biográficas acerca de sábios, poetas, artistas e literatos, a começar pelos nacionais, para o que se organizará uma lista, na qual serão designados, com a precisa antecedência, o dissertador e a vítima. Também se farão dissertações sobre datas nacionais ou estrangeiras.
  11. Essas dissertações serão feitas em palestras, sendo proibido o tom oratório, sob pena de vaia.
  12. Haverá um livro em que se registrará o resultado das fornadas com o maior laconismo possível, assinando todos os Padeiros presentes.
  13. As despesas necessárias serão feitas mediante finta passada pelo Gaveta, que apresentará conta do dinheiro recebido e despendido.
  14. E proibido o uso de palavras estranhas à língua vernácula, sendo, porém, permitido o emprego dos neologismos do Dr. Castro Lopes.
  15. Os Padeiros serão obrigados a comparecer à fornada, de flor à lapela, qualquer que seja a flor, com excepção da de chichá.
  16. Aquele que durante uma sessão não disser uma pilhéria de espírito, pelo menos, fica obrigado a pagar no sábado café para todos os colegas. Quem disser uma pilhéria superiormente fina, pode ser dispensado da multa da semana seguinte.
  17. O Padeiro que for pegado em flagrante delito de plagio, falado ou escrito, pagará café e charutos para todos os colegas.
  18. Todos os Padeiros serão obrigados a defender seus colegas da agressão de qualquer cidadão ignáro e a trabalhar, com todas as forças, pelo bem estar mútuo.
  19. É proibido fazer qualquer referência à rosa de Maiherbe e escrever nas folhas mais ou menos perfumadas dos álbuns.
  20. Durante as fornadas, é permitido ter o chapéu na cabeça, exceto quando se falar em Homero, Shakespeare, Dante, Hugo, Goethe, Camões e José de Alencar porque, então, todos se descobrirão.
  21. Será julgada indigna de publicidade qualquer peça literária em que se falar de animais ou plantas estranhos à Fauna e à Flora brasileiras, como: cotovia, olmeiro, rouxinol, carvalho etc.
  22. Será dada a alcunha de “medonho” a todo sujeito que atentar publicamente contra o bom senso e o bom gosto artísticos.
  23. Será preferível que os poetas da “Padaria” externem suas idéias em versos.
  24. Trabalhar-se-á por organizar uma biblioteca, empregando-se para isso todos os meios lícitos e ilícitos.
  25. Dirigir-se-á um apelo a todos os jornais do mundo, solicitando a remessa dos mesmos à biblioteca da “Padaria”.
  26. São considerados, desde já, inimigos naturais dos Padeiros – o Clero, os alfaiates e a polícia. Nenhum Padeiro deve perder ocasião de patentear seu desagrado a essa gente.
  27. Será registrado o fato de aparecer algum Padeiro com colarinho de nitidez e alvura contestáveis.
  28. Será punido com expulsão imediata e sem apelo o Padeiro que recitar ao piano.
  29. Organizar-se-á um calendário com os nomes de todos os grandes homens mortos, Haverá uma pedra para se escrever o nome do Santo do dia, nome que também será escrito na Ata, em seguida à data respectiva.
  30. A “Avenida Caio Prado” é considerada a mais útil e a mais civilizada das instituições que felizmente nos regem, e, por isso, ficará sob o patrocínio da Padaria,
  31. Encarregar-se-á um dos Padeiros de escrever uma monografia a respeito do incansável educador Professor Sobreira e suas obras.
  32. A “Padaria” representará ao Governo do Estado contra o atual horário da Biblioteca Pública e indicará um outro mais consoante às necessidades dos famintos de idéias.
  33. Nomear-se-ão comissões para apresentarem relatórios sobre os estabelecimentos de instrução pública e particular da Capital relatórios que serão publicados,
  34. A Padaria Espiritual obriga-se a organizar, dentro do mais breve prazo possível, um Cancioneiro Popular, genuinamente cearense.
  35. Logo que estejam montados todos os maquinismos, a Padaria publicará um jornal que, naturalmente, se chamará O Pão.
  36. A Padaria tratará de angariar documentos para um livro contendo as aventuras do célebre e extraordinário Padre Verdeixa.
  37. Publicar-se-á , no começo de cada ano, um almanaque ilustrado do Ceará contendo indicações uteis e inúteis, primores literários e anúncios de bacalhau.
  38. A Padaria terá correspondentes em todas as capitais dos países civilizados, escolhendo-se para isso literatos de primeira água.
  39. As mulheres, como entes frágeis que são, merecerão todo o nosso apoio excetuadas: as fumistas, as freiras e as professoras ignorantes.
  40. A Padaria desejaria muito criar aulas noturnas para a infância desvalida; mas, como não tem tempo para isso, trabalhará por tornar obrigatório a instrução pública primada.
  41. A Padaria declara desde já guerra de morte ao bendegó do “Cassino”.
  42. É expressamente proibido aos Padeiros receberem cartões de troco dos que atualmente se emitem nesta Capital.
  43. No aniversário natalício dos Padeiros, ser-lhes-á oferecida uma refeição pelos colegas.
  44. A Padaria declara embirrar solenemente com a secção “Para matar o tempo” do jornal “A Republica”, e, assim, se dirigirá à redação desse jornal, pedindo para acabar com a mesma secção.
  45. Empregar-se-ão todos os meios de compelir Mané Coco a terminar o serviço da “Avenida Ferreira”.
  46. O Padeiro que, por infelicidade, tiver um vizinho que aprenda clarineta, pistom ou qualquer outro instrumento irritante, dará parte à Padaria que trabalhará para pôr termo a semelhante suplício.
  47. Pugnar-se-á pelo aformoseamento do Parque da Liberdade, e pela boa conservação da cidade, em geral.
  48. Independente das disposições contidas nos artigos precedentes, a Padaria tomará a iniciativa de qualquer questão emergente que entenda com a Arte, com o bom Gosto, com o Progresso e com a Dignidade Humana.

 

Amassado e assado na “Padaria Espiritual”, aos 30 de Maio de 1892.

 

Seguem-se as assinaturas dos padeiros presentes, em número de dezoito, faltando, portanto, duas assinaturas.

Publicado em:  on 22 11amFri, 28 Nov 2008 03:58:14 +0000ç2008 2008 at 3:58 am Deixe um comentário

É FÁCIL

Sintetize seu esforço

E veja como se faz

Trança-se a corda e pronto.

Publicado em:  on 22 11pmTue, 25 Nov 2008 20:18:52 +0000ç2008 2008 at 8:18 pm Deixe um comentário

CONSELHOS DO PADRE CÍCERO

De um calendário editado em Juazeiro do Norte

 

  • Não derrube o mato, pois é ele que atrai chuva.
  • Não toque fogo na roça, porque senão a terra fica cada vez mais fraca.
  • Não cace por brincadeira, mas só para comer.
  • Não crie o boi nem o bode soltos; faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer…
  • Não plante de serra acima, nem faça roçado em ladeira muito em pé, para que a água não arraste a terra e não se perca a sua riqueza…
  • Represe os riachos de cem em cem metros ainda que seja com pedra solta.
  • Plante, cada vez que puder, um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só…
  • Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga como a maniçoba, a favela e a jurema, elas podem ajudar você a conviver com a seca…
  • Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar a água da chuva.
  • Se o sertanejo obedecer a estes conselhos, a seca irá aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer. Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai virar um deserto só…
Publicado em:  on 22 11pmMon, 24 Nov 2008 15:39:57 +0000ç2008 2008 at 3:39 pm Comentários (1)

A PADARIA ESPIRITUAL

A Padaria espiritual foi um movimento de carater intelectual fundado em 30 de maio de 1892 no Ceará, no número 105 da Rua Formosa, hoje Barão do Rio Branco e encerrada no dia 20 de dezembro de 1898. Muitos a classificaram de irreverente, irônica, moderna, anti-burguesa, cujo fim era “fornecer pão de espírito aos sócios em particular, e aos povos, em geral”. A Padaria Espiritual era formada por um grupo de jovens escritores, pintores e músicos que visava revolucionar, principalmente através do humor, o mundo das artes que já caia na mesmice burguesa desde aquela época, 30 anos antes da Semana de Arte Moderna. Foi justamente essa tentativa de renovação que fez com que muitos críticos literários apontassem a Padaria como precursora do Modernismo e das academias de letras do Brasil.

 

O GENIAL PROGRAMA DE INSTALAÇÃO DA PADARIA ESPIRITUAL

 

Estatuto da Padaria Espiritual

 

  1. Fica organizada, nesta cidade de Fortaleza, capital da “Terra da Luz”, antigo Siará Grande, uma sociedade de rapazes de Letras e Artes, denominada Padaria Espiritual, cujo fim é fornecer pão de espírito aos sócios em particular, e aos povos, em geral.
  2. A Padaria Espiritual se comporá de um Padeiro-Mór (presidente), de dois Forneiros (secretários), de um Gaveta (tesoureiro), de um Guarda-livros na acepção intrínseca da palavra (bibliotecário), de um Investigador das Coisas e das Gentes, que se chamará Olho da Providência, e demais Amassadores (sócios). Todos os sócios terão a denominação geral de Padeiros.
  3. Fica limitado em vinte o número de sócios, inclusive a Diretoria, podendo-se, porém, admitir sócios honorários que se denominarão Padeiros-livres.
  4. Depois da instalação da Padaria, só será admitido quem exibir uma peça literária ou qualquer outro trabalho artístico que for julgado decente pela maioria.
  5. Haverá um livro especial para registrar-se o nome comum e o nome de guerra da cada Padeiro, sua naturalidade, estado, filiação e profissão a fim de poupar-se à Posteridade o trabalho dessas indagações.
  6. Todos os Padeiros terão um nome de guerra único, pelo qual serão tratados e do qual poderão usar no exercício de suas árduas e humanitárias funções.
  7. O distintivo da Padaria Espiritual será uma haste de trigo cruzada de uma pena, distintivo que será gravado na respectiva bandeira, que terá as cores nacionais.
  8. As fornadas (sessões) se realizarão diariamente, à noite, à excepção das quintas-feiras, e aos domingos, ao meio-dia.
  9. Durante as fornadas, os Padeiros farão a leitura de produções originais e inéditas, de quaisquer peças literárias que encontrarem na imprensa nacional ou estrangeira e falarão sobre as obras que lerem.
  10. Far-se-ão dissertações biográficas acerca de sábios, poetas, artistas e literatos, a começar pelos nacionais, para o que se organizará uma lista, na qual serão designados, com a precisa antecedência, o dissertador e a vítima. Também se farão dissertações sobre datas nacionais ou estrangeiras.
  11. Essas dissertações serão feitas em palestras, sendo proibido o tom oratório, sob pena de vaia.
  12. Haverá um livro em que se registrará o resultado das fornadas com o maior laconismo possível, assinando todos os Padeiros presentes.
  13. As despesas necessárias serão feitas mediante finta passada pelo Gaveta, que apresentará conta do dinheiro recebido e despendido.
  14. E proibido o uso de palavras estranhas à língua vernácula, sendo, porém, permitido o emprego dos neologismos do Dr. Castro Lopes.
  15. Os Padeiros serão obrigados a comparecer à fornada, de flor à lapela, qualquer que seja a flor, com excepção da de chichá.
  16. Aquele que durante uma sessão não disser uma pilhéria de espírito, pelo menos, fica obrigado a pagar no sábado café para todos os colegas. Quem disser uma pilhéria superiormente fina, pode ser dispensado da multa da semana seguinte.
  17. O Padeiro que for pegado em flagrante delito de plagio, falado ou escrito, pagará café e charutos para todos os colegas.
  18. Todos os Padeiros serão obrigados a defender seus colegas da agressão de qualquer cidadão ignáro e a trabalhar, com todas as forças, pelo bem estar mútuo.
  19. É proibido fazer qualquer referência à rosa de Maiherbe e escrever nas folhas mais ou menos perfumadas dos álbuns.
  20. Durante as fornadas, é permitido ter o chapéu na cabeça, exceto quando se falar em Homero, Shakespeare, Dante, Hugo, Goethe, Camões e José de Alencar porque, então, todos se descobrirão.
  21. Será julgada indigna de publicidade qualquer peça literária em que se falar de animais ou plantas estranhos à Fauna e à Flora brasileiras, como: cotovia, olmeiro, rouxinol, carvalho etc.
  22. Será dada a alcunha de “medonho” a todo sujeito que atentar publicamente contra o bom senso e o bom gosto artísticos.
  23. Será preferível que os poetas da “Padaria” externem suas idéias em versos.
  24. Trabalhar-se-á por organizar uma biblioteca, empregando-se para isso todos os meios lícitos e ilícitos.
  25. Dirigir-se-á um apelo a todos os jornais do mundo, solicitando a remessa dos mesmos à biblioteca da “Padaria”.
  26. São considerados, desde já, inimigos naturais dos Padeiros – o Clero, os alfaiates e a polícia. Nenhum Padeiro deve perder ocasião de patentear seu desagrado a essa gente.
  27. Será registrado o fato de aparecer algum Padeiro com colarinho de nitidez e alvura contestáveis.
  28. Será punido com expulsão imediata e sem apelo o Padeiro que recitar ao piano.
  29. Organizar-se-á um calendário com os nomes de todos os grandes homens mortos, Haverá uma pedra para se escrever o nome do Santo do dia, nome que também será escrito na Ata, em seguida à data respectiva.
  30. A “Avenida Caio Prado” é considerada a mais útil e a mais civilizada das instituições que felizmente nos regem, e, por isso, ficará sob o patrocínio da Padaria,
  31. Encarregar-se-á um dos Padeiros de escrever uma monografia a respeito do incansável educador Professor Sobreira e suas obras.
  32. A “Padaria” representará ao Governo do Estado contra o atual horário da Biblioteca Pública e indicará um outro mais consoante às necessidades dos famintos de idéias.
  33. Nomear-se-ão comissões para apresentarem relatórios sobre os estabelecimentos de instrução pública e particular da Capital relatórios que serão publicados,
  34. A Padaria Espiritual obriga-se a organizar, dentro do mais breve prazo possível, um Cancioneiro Popular, genuinamente cearense.
  35. Logo que estejam montados todos os maquinismos, a Padaria publicará um jornal que, naturalmente, se chamará O Pão.
  36. A Padaria tratará de angariar documentos para um livro contendo as aventuras do célebre e extraordinário Padre Verdeixa.
  37. Publicar-se-á , no começo de cada ano, um almanaque ilustrado do Ceará contendo indicações uteis e inúteis, primores literários e anúncios de bacalhau.
  38. A Padaria terá correspondentes em todas as capitais dos países civilizados, escolhendo-se para isso literatos de primeira água.
  39. As mulheres, como entes frágeis que são, merecerão todo o nosso apoio excetuadas: as fumistas, as freiras e as professoras ignorantes.
  40. A Padaria desejaria muito criar aulas noturnas para a infância desvalida; mas, como não tem tempo para isso, trabalhará por tornar obrigatório a instrução pública primada.
  41. A Padaria declara desde já guerra de morte ao bendegó do “Cassino”.
  42. É expressamente proibido aos Padeiros receberem cartões de troco dos que atualmente se emitem nesta Capital.
  43. No aniversário natalício dos Padeiros, ser-lhes-á oferecida uma refeição pelos colegas.
  44. A Padaria declara embirrar solenemente com a secção “Para matar o tempo” do jornal “A Republica”, e, assim, se dirigirá à redação desse jornal, pedindo para acabar com a mesma secção.
  45. Empregar-se-ão todos os meios de compelir Mané Coco a terminar o serviço da “Avenida Ferreira”.
  46. O Padeiro que, por infelicidade, tiver um vizinho que aprenda clarineta, pistom ou qualquer outro instrumento irritante, dará parte à Padaria que trabalhará para pôr termo a semelhante suplício.
  47. Pugnar-se-á pelo aformoseamento do Parque da Liberdade, e pela boa conservação da cidade, em geral.
  48. Independente das disposições contidas nos artigos precedentes, a Padaria tomará a iniciativa de qualquer questão emergente que entenda com a Arte, com o bom Gosto, com o Progresso e com a Dignidade Humana.

 

Amassado e assado na “Padaria Espiritual”, aos 30 de Maio de 1892.

 

Seguem-se as assinaturas dos padeiros presentes, em número de dezoito, faltando, portanto, duas assinaturas.

Publicado em:  on 22 11pmSun, 23 Nov 2008 13:51:49 +0000ç2008 2008 at 1:51 pm Comentários (1)

UM DESPERTAR

Estou esgotado.

Franquearam minha vida

deceparam meus desejos

levaram meu caderno de anotações

que registrava um resto de esperança sadia

fiquei como que despido.

Não mais sinalizei que quero comer

nem vi o camundongo passar ligeiro

com seus dentes afiados.

Mesmo assim reagi

adocei meu íntimo

resvalei em tangentes inclinadas

e despertei para o mundo

com minha alma lavada.

Publicado em:  on 22 11pmSat, 22 Nov 2008 14:47:52 +0000ç2008 2008 at 2:47 pm Deixe um comentário

MOMENTO DE MELANCOLIA

Todos gostam de ouvir

que o  mundo é uma maravilha

não há traças roendo a roupa

nem camelo andando pelo deserto.

Sobram amores sem rancores

tudo é alegria plena

não há revide nem mágoas

só perdão povoando os corações.

Há centenas de latrinas sempre enfileiradas para uso esporádico

dúzias de pernas deitadas bancando o amor

sereno na madrugada deslizando nos corpos nus.

Perfis de afazeres sem zelo.

Desmantelos só no final do corredor

onde nada se ouve nem se transmite.

Pacotes de presentes de várias cores

comida farta na mesa, sim comida farta na mesa.

Não há inveja

a mais terrível arma do homem

que mata, esfola, e não sente remorso.

Não há deuses, há somente um Deus.

Piolhos só em espinhela de porcos.

O cheiro de churrasco inunda os ambientes

eufóricas as pessoas se saciam

da fome, de ternuras, de longos beijos.

No mundo que todos admiram há lembranças

boas lembranças, é assim que gostam de ler e ouvir.

Que fascínio! Dizem estonteantes.

Que espírito maravilhoso só há amor!

Mesmo vivendo na lama da incompreensão.

Sensacional é quem diz que tudo é fantástico.

E os que vêem além?

Que enxergam impureza

e falsidade esmaecida pelo tempo.

Ficam regurgitando palavras que ninguém gosta de ouvir.

Dá-se preferência às falácias

às aparências sutis e pretensiosas.

Quem cultiva a verdade nua despida de qualquer fantasia

é considerado pessimista, não é boa companhia.

Que mundo estranho esse em que vivemos…

Publicado em:  on 22 11pmFri, 21 Nov 2008 15:57:29 +0000ç2008 2008 at 3:57 pm Deixe um comentário

Outra do analista de Bagé

Do livro: O analista de Bagé de Luis Fernando Veríssimo

                71.ª Edição – Primavera de 1982

 

            - Se abanque, no más – disse o analista de Bagé, indicando o Divã.

            - Eu, ahn, prefiro ficar de pé – disse o moço.

            - Se abanque, índio velho, que ta incluído no preço.

            - Não Obrigado…

            - Deita aí! – disse o analista de Bagé, empurrando o paciente, que caiu de costas no pelego.

            O analista de Bagé sentou na sua banqueta e começou a picar fumo para o palheiro. Como o moço não dissesse nada, falou:

            - E então? Desembucha.

            - É que eu tenho um probleminha…

            - Probleminha só pode ser o moleque pequeno.

            - “Moleque?”

            - A peça. O trabuco. O Odovaldo.

            - Ah. Não, não é isso.

            - Então o que é, tchê? Depressa que eu to com a salinha cheia de louco.

            - Bem, é que eu…

            - O quê?

            Eu desde pequeno tenho este problema de incontinência…

            - Incontinência?

            - Eu ainda faço xixi na cama…

            Nisso o analista pulou e gritou:

            - Meu pelego!

            E levantou o divã por uma ponta, despejando o paciente no chão.      

Publicado em:  on 22 11pmWed, 19 Nov 2008 21:42:04 +0000ç2008 2008 at 9:42 pm Deixe um comentário

Rola na net

Rir é preciso!

 

O sujeito volta ao médico trinta dias depois de ter sido operado do coração:

- O senhor está ótimo! – diz-lhe o médico.

- Eu já posso voltar a transar? – pergunta o paciente.

- Pode, mas só com a sua mulher! Eu não quero que você se emocione!

 

 

O médico liga para o paciente.

- Alfredo, seus exames ficaram prontos.

- E aí, doutor!? Tudo bem?!

- Bem nada, rapaz! Tenho duas notícias para te dar: uma ruim e uma péssima.

- Diz logo, qual a ruim?

- Você tem apenas 24 horas de vida!

- 24 horas? Meu Deus, não pode ser! – e depois de alguns segundos…

- E a péssima?

- Tentei te ligar ontem o dia todo, mas só dava ocupado!

 

 

A mocinha vinha sentindo dores estranhas há algum tempo e procura um médico.

Após um exame, ele dá o veredicto:

- A senhora está com Mal de Chagas!

- Mal de Chagas? Como é que eu peguei isso?

- A senhora deve ter sido chupada por um barbeiro!

- Filho da puta – comenta a mocinha – Ele me disse que era advogado!

 

 

O paciente chega desesperado ao consultório do médico:

- Doutor, meu estômago não digere os alimentos, se como uma maçã, cago uma maçã, se como uma pêra, cago uma pêra, que devo fazer doutor?!

O médico encarou seu paciente e disse:

- Já experimentou comer merda?

 

 

Um português preocupado com sua saúde procurou um médico urgente:

- Doutor, pelo amor de Deus, estou sentindo dores no corpo todo!

- Dê exemplos, por favor…

- Ah doutor, eu ponho o dedo no pé, dói, ponho o dedo no peito, dói, ponho o dedo na cabeça, dói, como pode ver, todo meu corpo dói.

- Huuuum, acho que já sei…

- O que é doutor? Pelo amor de Deus, grave?

- Não, Manoel, não é grave: você apenas quebrou o dedo.

 

 

Qual a semelhança entre o ginecologista e o entregador de pizza?

É que ambos só sentem o cheiro, mas comer que é bom…

 

Publicado em:  on 22 11pmTue, 18 Nov 2008 15:54:51 +0000ç2008 2008 at 3:54 pm Deixe um comentário

CALMARIA

Você chegou

assim como a brisa, de leve

sem atropelo.

Acariciou meu rosto com sua mão

assim como a brisa, de leve.

Roubou-me a vida.

Levou-a consigo.

Sem mistérios, sem dores

apenas com amores.

Publicado em:  on 22 11pmMon, 17 Nov 2008 13:30:43 +0000ç2008 2008 at 1:30 pm Deixe um comentário