Do livro: O analista de Bagé de Luis Fernando Veríssimo
71.ª Edição – Primavera de 1982
- Se abanque, no más – disse o analista de Bagé, indicando o Divã.
- Eu, ahn, prefiro ficar de pé – disse o moço.
- Se abanque, índio velho, que ta incluído no preço.
- Não Obrigado…
- Deita aí! – disse o analista de Bagé, empurrando o paciente, que caiu de costas no pelego.
O analista de Bagé sentou na sua banqueta e começou a picar fumo para o palheiro. Como o moço não dissesse nada, falou:
- E então? Desembucha.
- É que eu tenho um probleminha…
- Probleminha só pode ser o moleque pequeno.
- “Moleque?”
- A peça. O trabuco. O Odovaldo.
- Ah. Não, não é isso.
- Então o que é, tchê? Depressa que eu to com a salinha cheia de louco.
- Bem, é que eu…
- O quê?
Eu desde pequeno tenho este problema de incontinência…
- Incontinência?
- Eu ainda faço xixi na cama…
Nisso o analista pulou e gritou:
- Meu pelego!
E levantou o divã por uma ponta, despejando o paciente no chão.