Do poeta maior Fernando Pessoa

Poesia de Fernando Pessoa

Editorial Presença

3.ª edição, Lisboa, Janeiro, 2006

 

Pg. 77

 

Quem bate à minha porta

Tão insistentemente

Saberá que está morta

A alma que em mim sente?

 

Saberá que eu a velo

Desde que a noite é entrada

Com o vácuo e vão desvelo

De quem não vela nada?

 

Saberá que estou surdo?

Porque o sabe ou não sabe,

E assim bate, ermo e absurdo,

Até que o mundo acabe?

Publicado em:  on 22 12pmTue, 16 Dec 2008 20:38:47 +0000ç2008 2008 at 8:38 pm Deixe um comentário

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