Poesia de Fernando Pessoa
Editorial Presença
3.ª edição, Lisboa, Janeiro, 2006
Pg. 70
Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.
O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo.
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.
Trémulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Porque fiz eu dos sonhos
A minha única vida?