Do livro: NORDESTINADOS
De: Marcus Accioly
José Olympio Editora – 1986
……………………………………………..
Pois ferir o silêncio com meu canto
É ferir uma tela com o pincel,
É ferir com o lápis muito usado
A mais limpa brancura do papel.
É unir a um só tempo o canto e o pranto
De tal forma que os dois não sejam dois,
Porque o canto que seca o olhar molhado
Há de vir junto ao pranto e não depois.
E quem fere o silêncio permanente
Como um vidro no espaço transparente
Que lhe serve de forma e de janela,
Corre o risco de ver a coisa extinta,
De manchar o papel, gastar a tinta,
E perder de uma vez o tempo e a tela.
………………………………………………….