Do mestre J. Stélio
Penso que sou meio louco e meio santo.
Às vezes acho que tenho a cara lavada e a alma exposta.
Dizem até que sou meio bobo de tão sério.
Posso sorrir quando acham que eu deveria chorar de piedade.
Bebo na fonte da realidade
Porque sem ela a fantasia não teria essência.
Não sou chato e nem adulto.
Sou infância e sou velhice.
Quem guarda o vento no rosto nunca tem pressa.
Sou assim, e por ser assim não tenho amigos.
Eu queria pelo menos um amigo.
Mesmo que ele não fosse louco, santo, bobo, sério, criança e velho.
Mesmo que ele não tivesse nenhuma qualidade
Pela qual eu pudesse escolhê-lo.
Um amigo não se escolhe, se abraça.
Ter pelo menos um amigo e aceitar que:
A NORMALIDADE É UMA ILUSÃO.