FERNANDO PESSOA

Do livro: Poesia 1902 – 1917

de Fernando Pessoa

São Paulo: Companhia das Letras, 2006

Pg 182

 

“Onde estão os momentos que vivi?

Onde estão as ideias que esqueci?

Talvez existam nalgum paraíso

Delicioso de vago e de preciso,

E ali me esperem para me dizer

Que foi melhor que houvesse de as perder,

Porque assim à grandeza de chorá-las

Junto a beleza d’alma de encontrá-las

Já quando do dizê-las a ânsia fútil

As não tornara cada uma inútil…

E esta ideia me faz menos triste

Mas esse paraíso acaso existe?”

Publicado em:  on 22 02amThu, 05 Feb 2009 04:04:32 +0000ç2009 2008 at 4:04 am Deixe um comentário

rola na net

É o amor!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

O amor é lindo, o que estraga é o casamento.

 

Marido ao chegar em casa diz à mulher:

- Querida, hoje vou amar-te!!!!!

Resposta da mulher:

- Por mim você pode ir a Marte, a Júpiter e até à Saturno, desde que me deixe dormir em paz!!!

Publicado em:  on 22 02amWed, 04 Feb 2009 03:56:15 +0000ç2009 2008 at 3:56 am Deixe um comentário

INATINGÍVEL?

“Todos nós temos a oportunidade de perdoar, quando amigos ou pessoas queridas nos decepcionam ou se voltam contra nós.”

 

EIS A QUESTÃO.

 

 

 

 

 

Publicado em:  on 22 02pmTue, 03 Feb 2009 15:29:38 +0000ç2009 2008 at 3:29 pm Deixe um comentário

DE COMO ME TORNEI FANÁTICO TELESPECTADOR

Do livro: Cartas de viagem e outras crônicas

          De: Campos de Carvalho

          Organização Cláudio Figueiredo. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2006.

 

 

   

         “Orgulho-me de ter feito o serviço militar três vezes, isto é, de ter sido obrigado a fazê-lo três anos seguidos. Das duas primeiras vezes, xinguei a mãe do sargento, da última, aprendi a xingá-la para dentro. A verdade é que já nasci antibelicista e nenhum exército do mundo me faria empunhar um fuzil por mais de cinco minutos.

            Correm as mais estranhas notícias a meu respeito, e se eu fosse acreditar nelas jamais teria coragem de dormir comigo. Se sou lobisomem é à maneira de todo mundo: homo homini lupus, e quem me vê de óculos até pensa que sou um respeitado professor de qualquer coisa. Agora: entre ser professor de qualquer coisa ou ser lobisomem, é claro que prefiro este último.

            Escrevo porque não posso deixar de escrever, e é bom que se convençam disso os censores e ditadores de qualquer tipo ou nacionalidade. Escrevo e rasgo, escrevo e rasgo, numa autocensura que não tem nada a ver com a burrice alheia. Tenho uma facilidade enorme de escrever e por isso mesmo é que tenho tão poucos livros publicados. Não há nada pior, para qualquer artista, do que a facilidade: ainda chego a preferir a mulher fácil. E já que falo em Arte, devo confessar que é a coisa mais bela e importante deste mundo, e muito mais terrível do que o câncer.

            Deus e eu não nos entendemos desde que completei 15 anos: simplesmente rompemos relações. Também a última coisa que eu admitiria ser era Deus, nem que fosse por um dia apenas. Sinto-me muito bem sem a idéia de Deus; ou, melhor, sinto-me muito mal, mas pelo menos não fico devendo meu infortúnio a ninguém. Sou o tipo do sef-made man: não aceito a ingerência de nenhum deus e de nenhum demônio.

            Em matéria de amor sou absolutista: amo perdidamente a mesma criatura a vida inteira, e o mais espantoso é que me casei com ela. Há quem me julgue por isso um sujeito sem imaginação, mas a verdade é que se babam de inveja.

            Sou um bicho do mato, mas já nasci assim e não saberia ser de outro jeito. Às vezes chego a pensar que sou um tigre, mas logo me recolho à minha insignificância de gato. Selvagem, mas gato.

            Se ninguém ainda disse esta frase: “Mais de um é multidão”, fico sendo o autor dela. Isto não exclui o amor eterno, muito pelo contrário; é apenas uma variante do que já diz a sabedoria popular: dois é bom, três é demais.

            Não sou um animal político, para espanto de muita gente. Em compensação eu me escandalizo justamente com a sua politização, que é como eles chamam a sua mania de catequizar e sobretudo de se deixar catequizar.

            Que a humanidade fracassou, basta abrir os jornais do dia. Só na seção necrológica ainda se encontra um pouco de paz. Mas, pensando bem, até que não houve fracasso nenhum: o Homem foi mesmo feito à imagem e semelhança de Deus.

            Um conselho aos jovens? Pois que não fiquem velhos nunca.

            Nasci à margem do Parapaendi, num dia em que minha mãe desceu do carro de boi para satisfazer uma necessidade fisiológica e a satisfez. Assim, de cara, aprendi que este mundo não passa mesmo é de uma grande m… Eu disse de cara.

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            Minha mulher lembrou-me entre um busca-pé e outro que eu já estava bastante velho para continuar sendo uma criança, e mostrou-me no mapa-múndi onde estava situado o Parapaendi, do tamanho de uma josta de mosquito. Eu, que nunca havia sequer pensado nisso, tomei-me repentinamente de nojo pela política mundial e comprei logo um televisor a cores, último modelo, para pelo menos ter todo o Universo dentro de casa e imbecilizar-me de uma vez.

            Hoje, graças a Deus e à televisão, mal consigo lembrar-me do meu nome e da josta de mosquito em que vivo (presumo que seja josta de abelha) e participo de todos os programas que distribuem geladeiras, automóveis, batedeiras elétricas, viagens à Austrália e garrafas-brinde de Coca-Cola. Minha mulher passa as tardes e as madrugadas vendo Humphrey Bogart, Errol Flinn, Cary Grant e Jean Gabin, quando não o próprio Rodolfo Valentino, e com isso a nossa vida conjugal voltou à estaca zero vírgula zero zero, que é o ideal para qualquer vida conjugal que se preze.”

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Publicado em:  on 22 02pmMon, 02 Feb 2009 21:54:42 +0000ç2009 2008 at 9:54 pm Deixe um comentário

ACABOU-SE

Ela desapareceu sorridente

mostrando os dentes

esqueceu-se de repetir um aceno.

Intempestiva furou o cerco da vida

levou meus abraços amorosos

minhas intrigas birrentas

caminhou em frente

aguardou o sinal vermelho e deixou o passado

absorta

terracota

cadavérica,

camuflada

volúpia desmedida numa atmosfera sem redoma

vexame

imbróglio

remendos.

Nada ficou.

Publicado em:  on 22 02pmSun, 01 Feb 2009 14:17:29 +0000ç2009 2008 at 2:17 pm Deixe um comentário