O SERTÃO E O MAR

A vida seria, sem o rio?

Ou o rio é a vida tortuosa que chega ao mar?

Há vida cá e lá

Ambas correm velozes

em alguns instantes uma é só inanição

mas se renova sempre

as vezes com revolta e violência.

A outra, ou as outras, as muitas outras formas

enfraquecem com a ausência da correnteza

se contorcem, amarelam

ou vivem, ou sobrevivem, ou morrem.

A correnteza, à luz inóspita do céu claro

viaja rápido

levando o sumo da vida

mesmo que amargo.

No entanto, há felicidade, fecundação.

Há ausência de traumas

restos de comida

ilusões jogadas aos porcos.

E o espírito fica sempre desejoso de algo mais.

Enquanto isso

onde a água chega

o medo domina

a solidariedade quebrou-se em cacos não remendáveis

não existe horizonte, nem estrelas

O sol brilha sob um manto escuro de fumaça

de escândalos.

Os amores são descontínuos

a comida é egoísta

as pessoas insossas

as luzes amarelas e tristes.

Procura-se a vida.

Só resta uma vaga lembrança

de uma infância distante e feliz.

Há mesas postas

abundantes

regras no sentar

sobremesa

relógios na parede

ausência de sentimentos.

As almas estão secas

sem brilho

e os caminhos sem destinos certos…

Publicado em:  on 22 05pmMon, 11 May 2009 22:23:28 +0000ç2009 2008 at 10:23 pm Deixe um comentário

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